MME define diretrizes para o LRCAP 2026 e confirma dois leilões de energia em março

Portarias 118 e 119 detalham as regras para a contratação de termelétricas e hidrelétricas; cadastramento vai até 14 de novembro

O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou nesta sexta-feira (24) as diretrizes e sistemáticas para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, estabelecendo oficialmente a realização de dois certames em março do próximo ano. As portarias nº 118 e 119, publicadas no Diário Oficial da União (DOU), detalham as modalidades, fontes elegíveis e prazos de cadastramento dos empreendimentos interessados.

O primeiro leilão, agendado para 18 de março de 2026, será destinado à contratação de usinas termelétricas (UTEs) a gás natural e carvão mineral, além de usinas hidrelétricas (UHEs). Já o segundo, previsto para 20 de março, contemplará UTEs movidas a óleo combustível e biodiesel. O prazo para cadastramento e habilitação técnica de ambos os leilões se encerra às 12h do dia 14 de novembro de 2025.

Objetivo: segurança e flexibilidade no sistema elétrico

O modelo do LRCAP foi concebido para reforçar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo a disponibilidade de potência firme em momentos de maior demanda, sobretudo diante do avanço das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, na matriz elétrica brasileira.

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Segundo o MME, a realização de dois leilões distintos busca diversificar as fontes de suprimento, assegurando equilíbrio entre eficiência energética e segurança de abastecimento. As diretrizes também reforçam a necessidade de modernização e otimização da operação das termelétricas, com ênfase em parâmetros ambientais e operacionais mais rigorosos.

A pasta explica que o processo de contratação no LRCAP é voltado à reserva de potência, e não apenas à geração de energia, o que significa que os empreendimentos vencedores deverão garantir disponibilidade de capacidade elétrica, contribuindo para a estabilidade do sistema em horários críticos.

Detalhes das portarias e fontes participantes

De acordo com a Portaria Normativa MME nº 118/2025, o primeiro leilão abrangerá UTE a gás natural, UTE a carvão mineral e UHEs. O documento define as regras de habilitação técnica, os requisitos de medição e despacho, além das condições de entrega e vigência dos contratos de potência.

Já a Portaria Normativa MME nº 119/2025 regulamenta o segundo certame, que contemplará UTE a óleo combustível e biodiesel. Ambos os leilões serão realizados de forma eletrônica, sob coordenação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com suporte técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

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Os interessados devem se cadastrar até o dia 14 de novembro de 2025, seguindo os prazos e orientações disponíveis nas portarias publicadas no Diário Oficial da União.

Leilões de capacidade e a transição energética

Desde a criação do LRCAP, o governo vem buscando aperfeiçoar o arcabouço regulatório para garantir o equilíbrio entre segurança energética e descarbonização da matriz. O modelo é considerado estratégico em um contexto de transição energética, em que o aumento da participação das fontes renováveis exige maior flexibilidade operacional e reserva de potência firme.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, já destacou em eventos anteriores que o desenho dos leilões de capacidade deve refletir a complementaridade entre as fontes, valorizando a eficiência e a sustentabilidade. Embora não tenha se manifestado sobre o LRCAP 2026 especificamente, Barral tem reiterado que o equilíbrio entre renováveis e térmicas despacháveis é “fundamental para garantir a estabilidade e confiabilidade do sistema elétrico”.

O LRCAP 2026 se insere, portanto, em uma agenda de modernização do setor elétrico, alinhada às discussões sobre a reforma do marco regulatório, a abertura do mercado livre de energia e o aperfeiçoamento dos mecanismos de precificação e contratação.

Impacto para investidores e agentes do setor

A divulgação antecipada das diretrizes é vista positivamente por agentes e investidores, que ganham maior previsibilidade regulatória para a estruturação de projetos. O cronograma também favorece a organização da cadeia de suprimentos e financiamento, especialmente em um momento de volatilidade de custos de combustíveis e incertezas macroeconômicas globais.

Fontes do setor destacam que o interesse nas termelétricas a gás natural tende a ser o maior entre as categorias contempladas, em razão da disponibilidade crescente de infraestrutura de transporte de gás e do avanço de novos projetos de suprimento. Já as UTE a óleo e biodiesel devem atrair atenção de investidores com perfil mais regional, voltados a soluções híbridas e de menor escala.

Perspectivas para 2026

Com a definição das regras do LRCAP 2026, o MME sinaliza continuidade da política de contratação de potência firme, instrumento considerado fundamental para a resiliência do sistema elétrico brasileiro. Os resultados dos leilões de março deverão indicar o perfil de investimentos térmicos e hidrelétricos que o país buscará para sustentar o crescimento da demanda e a expansão das renováveis nos próximos anos.

O setor acompanha com atenção o desdobramento das portarias e o posicionamento dos principais players. A expectativa é que o LRCAP 2026 consolide um modelo de contratação mais flexível, competitivo e aderente aos desafios da transição energética.

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