Associação reforça que modelo promove economia, eficiência sistêmica e desenvolvimento sustentável, e pede reconhecimento como aliado do setor
A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) reforçou em nota à imprensa a importância estratégica da geração distribuída (GD) para o setor elétrico nacional. Segundo a entidade, a GD representa economia direta para os consumidores, eficiência operacional para o sistema e uma estratégia sustentável para o desenvolvimento do Brasil, consolidando-se como uma política pública bem-sucedida, construída sobre investimentos privados sem subsídios permanentes, diferentemente de grandes usinas solares ou eólicas.
“Mais do que uma tendência, a GD é uma realidade consolidada e irreversível, que precisa ser tratada como aliada e não como adversária na construção de um setor elétrico mais moderno, resiliente e competitivo”, afirmou a associação. A ABGD destacou que críticas recentes que colocam em xeque a GD distorcem a realidade do setor elétrico brasileiro e reforçou pontos-chave para esclarecer sua contribuição.
Geração distribuída: eficiência e complementação do sistema
A ABGD enfatizou que a GD não representa invasão de mercado nem prejuízo sistêmico. Ao gerar energia próxima ao ponto de consumo, o modelo reduz perdas na transmissão e na distribuição, e antecipa investimentos que seriam obrigatórios para manter a confiabilidade do sistema elétrico.
“Ela não drena o sistema, ela alivia. Ao gerar energia onde é consumida, evita perdas e antecipa investimentos que seriam obrigatórios em transmissão e distribuição. Trata-se de eficiência sistêmica, com ganhos para toda a sociedade”, explicou a associação.
Essa característica torna a GD um instrumento estratégico para reduzir custos operacionais, aumentar a confiabilidade do sistema e fortalecer a segurança energética, contribuindo para a modernização da matriz elétrica brasileira.
Motor de crescimento e destaque global
A GD tem se consolidado como vetor de crescimento econômico. Desde 2012, o setor gerou mais de 1,4 milhão de empregos diretos e indiretos no país. Apenas em 2023 e 2024, foram adicionados mais de 5 GW em novos sistemas, beneficiando centenas de milhares de consumidores em todo o território nacional.
A ABGD destaca que os investimentos foram realizados com recursos próprios, sem recorrer a linhas de crédito subsidiadas, como aquelas aplicadas em grandes projetos centralizados, evidenciando a autossuficiência financeira e o dinamismo do setor.
O desempenho da GD também coloca o Brasil entre os líderes mundiais em energia solar distribuída. Em 2023, o país foi o terceiro que mais adicionou energia solar no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Para a ABGD, isso demonstra que a GD não é uma experiência isolada, mas parte de uma transformação global da matriz energética, alinhada com políticas de descarbonização e energia limpa.
Desafios como oportunidades para inovação
A associação reconhece que o setor enfrenta desafios, como curtailment e volatilidade de preços, mas reforça que essas questões representam sinais de crescimento e não falhas estruturais.
Segundo a ABGD, essas dificuldades devem ser enfrentadas com inovação tecnológica, sistemas de armazenamento, novos modelos contratuais e estabilidade regulatória, garantindo que o crescimento da GD continue a expandir de forma sustentável.
Cooperação com distribuidoras e modernização do setor
A ABGD ressaltou que a expansão da GD não é uma ameaça às distribuidoras, mas sim um complemento ao modelo tradicional. A convivência harmônica entre geração centralizada, distribuída e redes de distribuição é essencial para modernizar o setor elétrico, melhorar a segurança energética e aumentar a resiliência do sistema.
Além disso, a associação destacou que muitos grupos econômicos que controlam distribuidoras também mantêm empresas de GD em suas estruturas, evidenciando que o modelo é reconhecido como oportunidade estratégica mesmo por agentes que, publicamente, questionam sua expansão.



