Fusões e aquisições no setor elétrico recuam quase 45% no 1º semestre, aponta KPMG

Estudo revela que operações domésticas caíram pela metade, enquanto participação de investidores estrangeiros cresceu, impulsionando transações internacionais.

O setor de energia elétrica registrou uma forte retração no volume de fusões e aquisições (M&A) no primeiro semestre de 2025. De acordo com levantamento da KPMG, foram concretizadas 19 operações entre janeiro e junho deste ano, representando uma queda de quase 45% em relação ao mesmo período de 2024, quando o setor fechou 34 negócios.

O estudo, que monitora trimestralmente as movimentações em 43 setores da economia, mostra que o principal fator para essa desaceleração foi a redução nas operações domésticas – aquelas realizadas exclusivamente entre empresas brasileiras –, que passaram de 24 para 11 transações.

Perfil das transações: queda doméstica, alta estrangeira

Entre os 19 negócios fechados no semestre, a maior parte (11) foi doméstica. Outros cinco casos se enquadraram no modelo CB1, em que empresas estrangeiras adquiriram capital de companhias estabelecidas no Brasil. Houve ainda uma operação do tipo CB2 (empresa brasileira adquirindo, de estrangeiro, capital de empresa no exterior), uma CB3 (brasileiro adquirindo, de estrangeiro, capital de empresa no Brasil) e uma CB4 (estrangeiro adquirindo, de estrangeiro, capital de empresa no Brasil).

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Segundo Paulo Guilherme Coimbra, sócio da KPMG e coordenador da pesquisa, o cenário reflete um ambiente econômico interno menos favorável:

“Em comparação com o semestre passado, foi constatado que o mercado interno teve uma desaceleração e houve uma queda no número de operações domésticas. Isso impactou o resultado total do semestre, esse movimento foi impactado pelo alto nível das taxas de juros, o que tem impactado no retorno de projetos.”

Brasil: retração moderada, mas mais capital estrangeiro

O panorama geral do mercado brasileiro de fusões e aquisições mostra uma retração mais moderada que a observada no setor elétrico. No total, 739 operações foram realizadas no primeiro semestre, uma queda de cerca de 5% frente aos 776 negócios registrados no mesmo período do ano passado.

Por outro lado, a participação de investidores estrangeiros cresceu. Entre janeiro e junho de 2025, foram 199 transações de aquisição de empresas brasileiras por estrangeiros, contra 178 no mesmo intervalo de 2024 – um aumento de quase 12%.

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Outro destaque foi o avanço das operações em que empresas brasileiras adquiriram companhias no exterior, que passaram de 47 para 58 negócios, alta de 23%.

Fatores macroeconômicos e tendências para o segundo semestre

Para Coimbra, apesar das incertezas fiscais e do cenário geopolítico global, o volume total de fusões e aquisições no país se manteve relativamente estável devido ao aumento nas transações internacionais.

“De forma geral, o cenário de fusões e aquisições permaneceu estável, apesar de questões globais geopolíticas e fiscais no mercado interno. E esses dois tipos de negociações sustentaram o número de transações realizadas este semestre. Por outro lado, as operações domésticas, envolvendo apenas investidores brasileiros, tiveram uma queda, apontando que o mercado interno sofreu uma pequena retração no período, ocasionado pelas altas de juros e discussões fiscais.”

Especialistas do setor avaliam que, caso haja redução das taxas de juros no segundo semestre, o mercado interno pode retomar ritmo mais acelerado, especialmente em segmentos estratégicos como o de energia elétrica, que atualmente enfrenta desafios para viabilizar projetos diante do custo elevado de capital.

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