Projeto poderá conectar infraestrutura ao sistema nacional de gás e demandar investimentos de até R$ 6 bilhões; anúncio foi feito durante inauguração da usina GNA II
A Gás Natural Açu (GNA) e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) firmaram um acordo para estudar a viabilidade da implantação de um novo terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Porto do Açu, localizado em São João da Barra (RJ). O projeto poderá demandar investimentos de até R$ 6 bilhões e visa integrar o terminal à malha nacional de transporte de gás natural, ampliando a segurança energética e a competitividade do insumo no país.
O compromisso entre as duas empresas foi anunciado nesta segunda-feira (21) pelo diretor-presidente da GNA, Emmanuel Delfosse, durante a cerimônia oficial de inauguração da usina termelétrica GNA II. O evento contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros de Estado, além de autoridades setoriais e executivos do setor de energia.
Integração com a malha nacional de gás é prioridade
O projeto conjunto entre GNA e NTS tem como objetivo estruturar um terminal de GNL com capacidade de importação e regaseificação, interligado ao sistema de transporte operado pela NTS, uma das principais operadoras de dutos do país.
“Acreditamos no potencial estratégico do Porto do Açu como hub energético do Sudeste. Essa parceria com a NTS representa um passo importante para ampliarmos a infraestrutura nacional de gás natural e garantirmos um suprimento mais seguro, competitivo e flexível para o mercado brasileiro”, afirmou Emmanuel Delfosse. “Vamos trabalhar com responsabilidade para avaliar todas as possibilidades técnicas, econômicas e ambientais do projeto.”
Segundo a GNA, os estudos de viabilidade técnica e regulatória terão início imediato e avaliarão a demanda do mercado, a estrutura de conexão com os gasodutos e a viabilidade de escoamento para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Terminal poderá fortalecer hub de energia no Açu
O Porto do Açu já abriga o maior complexo termelétrico a gás natural da América Latina, operado pela GNA. Com a entrada em operação da usina GNA II, a empresa passa a contar com 3 GW de capacidade instalada de geração térmica, suficiente para abastecer cerca de 14 milhões de residências.
A instalação de um terminal de GNL no local poderá transformar o Açu em um centro logístico e energético ainda mais robusto, com potencial para atrair novos investimentos e projetos industriais. O terminal permitirá a ampliação da oferta de gás regaseificado para diversas regiões do país, estimulando a geração elétrica, a produção industrial e a diversificação do uso do gás natural.
“A expansão da infraestrutura de GNL no Brasil é essencial para garantir a confiabilidade do sistema energético e promover uma matriz mais limpa, com maior participação do gás natural”, disse Delfosse. “Estamos confiantes de que o Açu reúne as condições ideais para se consolidar como um dos principais polos de gás e energia do país.”
Nova etapa da abertura do mercado de gás
O anúncio da parceria entre GNA e NTS ocorre em um momento estratégico para o setor de gás natural no Brasil. Desde a promulgação do novo marco legal do gás, em 2021, o país tem buscado ampliar a competitividade e atratividade do segmento, promovendo a abertura do mercado e incentivando a construção de nova infraestrutura.
Ao conectar o terminal diretamente à malha de dutos da NTS, o projeto reforça o princípio de acesso aberto e não discriminatório às infraestruturas essenciais, previsto na nova legislação. Além disso, poderá reduzir gargalos logísticos, ampliar a oferta de gás em regiões de elevado consumo e estimular o desenvolvimento de novos consumidores industriais e térmicos.
A NTS, por sua vez, opera mais de 2 mil km de gasodutos no Sudeste do país, com conexão aos principais centros industriais e de consumo. Sua participação no projeto é considerada estratégica para garantir a viabilidade operacional e regulatória da iniciativa.
Compromisso com a transição energética
A GNA é uma joint venture formada pela Prumo Logística (controlada pelo EIG Global Energy Partners), BP e Siemens Energy, com foco em soluções integradas de geração térmica a gás e infraestrutura de GNL. Com a expansão do seu portfólio, a companhia busca consolidar-se como uma referência na transição energética do Brasil, oferecendo fontes flexíveis e menos emissoras de carbono.
Durante a cerimônia, Delfosse reiterou o papel do gás natural como vetor de segurança energética e descarbonização: “Estamos comprometidos com uma transição energética justa e equilibrada. O gás natural desempenha papel crucial nesse processo, complementando as fontes renováveis e assegurando estabilidade ao sistema.”



