Brasil consolida liderança global em cogeração renovável e amplia protagonismo energético

Alta participação de biomassa, integração com a agroindústria e exportação de tecnologia reforçam papel estratégico do país; tema será debatido na Fenasucro & Agrocana 2025, em Sertãozinho (SP)

O Brasil ocupa posição de destaque no cenário internacional da cogeração renovável de energia, sendo reconhecido por sua matriz diversificada e sustentável. Enquanto o carvão mineral ainda responde por 61% da cogeração global, conforme aponta o relatório Global CHP Market Overview (dezembro de 2024), o país adota um modelo baseado majoritariamente em fontes limpas, como o bagaço de cana-de-açúcar, o licor negro e resíduos de madeira. Em 2021, 69,2% da cogeração nacional já era proveniente de fontes renováveis.

Segundo Leonardo Nakamura, engenheiro de Energia da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), o protagonismo brasileiro se deve à maturidade do setor agroindustrial e à capacidade de inovação tecnológica.

“O setor tem aproveitado a abundância de biomassas, além de investir em tecnologia e fazer uso inteligente de subprodutos industriais”, afirma.

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O tema será um dos principais focos da 31ª edição da Fenasucro & Agrocana, feira de negócios voltada exclusivamente à cadeia de bioenergia, que acontece de 12 a 15 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP).

Integração entre indústria e energia abre caminho para exportações

Além de consolidar sua posição como referência global em cogeração, o Brasil já vislumbra um novo horizonte: a exportação de energia elétrica de origem renovável para países do Cone Sul. A iniciativa está na agenda regulatória da Cogen em 2025 e contempla negociações com Argentina e Uruguai.

“Essa exportação representa uma nova fronteira para o crescimento da cogeração no Brasil. Diante do enfraquecimento dos leilões de energia no mercado regulado e da migração crescente para o mercado livre, a possibilidade de vender energia para países vizinhos, como Argentina e Uruguai, é uma oportunidade atrativa para a indústria, com potencial para garantir remuneração adicional aos projetos de bioeletricidade”, ressalta Nakamura.

Essa estratégia de integração regional também contribui para a segurança energética do Cone Sul e fortalece a posição do Brasil como fornecedor estratégico de energia limpa.

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“Inclusive com potencial para liderar um corredor verde de exportação de energia renovável na América do Sul”, detalha Nakamura.

O que é cogeração e por que ela é estratégica para a matriz brasileira?

A cogeração consiste na produção simultânea e sequenciada de duas ou mais formas de energia a partir de um único combustível, geralmente energia elétrica e térmica. Esse processo é altamente eficiente quando comparado à geração convencional, e pode ser baseado em biomassas, gás natural ou outras fontes.

Segundo Nakamura, os sistemas de cogeração apresentam diversos benefícios para o sistema elétrico brasileiro:

“Entre elas, a economia de investimentos em transmissão e distribuição de energia, menores perdas de energia, maior confiabilidade de fornecimento, melhor qualidade da energia produzida, além de elevada eficiência energética quando comparado aos sistemas tradicionais de geração de eletricidade”.

Números da cogeração no Brasil

De acordo com dados consolidados pela Cogen com base na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil possui 21,9 gigawatts (GW) de capacidade instalada de cogeração em operação comercial — o que representa 10,3% da matriz elétrica nacional, considerando apenas a Geração Centralizada (212,6 GW).

Dentre os 21,9 GW, 18,7 GW são provenientes de biomassas. Destacam-se 13,03 GW gerados a partir do bagaço de cana e 5,7 GW oriundos de outras fontes renováveis, como licor negro e cavaco de madeira. Em 2024, a geração de energia elétrica por biomassa atingiu o volume recorde de 58 TWh, segundo o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional (BEN 2024), um crescimento de 7% em relação a 2023. Esse montante corresponde a 7,7% da geração elétrica nacional no período.

Fenasucro & Agrocana: palco para debater tendências da bioenergia

Reconhecida como a principal plataforma de negócios do setor bioenergético, a Fenasucro & Agrocana chega à sua 31ª edição reunindo os principais players nacionais e internacionais da cadeia produtiva. O evento é promovido pela RX Brasil, com apoio do CEISE Br, e ocorrerá no município de Sertãozinho, polo estratégico do setor sucroenergético.

“O objetivo da Fenasucro & Agrocana é discutir as principais tendências do setor da bioenergia. Por isso, durante o evento, vamos ampliar os debates sobre a importância da cogeração renovável de energia e a posição de destaque global do Brasil no setor”, adianta Paulo Montabone, diretor da feira.

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