Brasil aposta na integração entre hidrogênio de baixo carbono e biomassa para impulsionar transição energética e gerar valor à bioeconomia

Nova Nota Técnica da EPE destaca sinergias entre as cadeias do hidrogênio e da bioenergia, posicionando o Brasil como referência na produção de energia limpa com valor agregado e emissões reduzidas

A transição energética global exige soluções inovadoras e integradas, e o Brasil, com sua matriz predominantemente renovável, tem se consolidado como protagonista nesse cenário. Com o objetivo de ampliar a compreensão e fomentar políticas públicas mais eficazes, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou em 23 de junho de 2025 a Nota Técnica “Hidrogênio e Biomassa: Oportunidades para produção e uso de hidrogênio em sistemas de bioenergia“, que propõe a sinergia entre dois pilares estratégicos da matriz energética nacional: o hidrogênio de baixo carbono e a biomassa.

Apresentada por especialistas da Diretoria de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, a publicação analisa rotas tecnológicas já viáveis, destaca oportunidades de negócio e detalha modelos de integração entre as cadeias, com ênfase em ganhos ambientais, econômicos e sociais.

Durante o evento de lançamento, transmitido ao vivo pelos canais da EPE e da Agência Eixos, representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), ANP, Abiogás e ABH2 reforçaram a importância estratégica da iniciativa para consolidar o papel do Brasil como um dos protagonistas da transição energética mundial.

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“A transição energética está avançando cada vez mais rápido e, nesse cenário, o hidrogênio de baixa emissão de carbono tem ganhado destaque nos planos de muitos países para reduzir os gases de efeito estufa. Temos um trunfo estratégico, que é a biomassa. Ela representa quase 1/3 da nossa oferta interna de energia, e coloca o Brasil com a matriz energética mais limpa entre os países do G20”, destacou o presidente da EPE, Thiago Prado.

Integração estratégica para inovação e competitividade

A Nota Técnica evidencia que o Brasil reúne condições ímpares para se tornar referência global na integração entre bioenergia e hidrogênio, sobretudo pela abundância de recursos naturais, infraestrutura já existente e domínio tecnológico nas áreas agrícola e energética.

Essa convergência pode impulsionar a produção de combustíveis avançados, como diesel verde, combustíveis sintéticos e SAF (Sustainable Aviation Fuel), já incluídos na Lei do Combustível do Futuro, como destacou o diretor do Departamento de Biocombustíveis do MME, Marlon Arraes.

“Essa sinergia entre bioenergia e hidrogênio nos posiciona com vantagens únicas na transição energética global. O hidrogênio será peça-chave na produção de biocombustíveis de última geração, permitindo mais competitividade e sustentabilidade à cadeia produtiva brasileira”, afirmou Arraes.

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Além disso, as rotas de produção a partir de biomassa podem gerar emissões negativas quando integradas a tecnologias de captura e uso de carbono (CCUS), o que amplia o potencial de contribuição do setor para o cumprimento das metas climáticas brasileiras.

Fomento à inovação e modelos de negócio sustentáveis

Para Heloisa Borges, diretora da EPE, a publicação sinaliza caminhos para a consolidação de um novo paradigma energético:

“O Brasil já está na fronteira tecnológica do aproveitamento eficiente de recursos. Esta Nota aponta como novos modelos de negócios podem agregar valor não só à cadeia do hidrogênio, mas também às cadeias agrícolas, industriais e bioenergéticas. Isso gera empregos, amplia a economia circular e fortalece o desenvolvimento regional”.

Entre os pilares propostos pela EPE para viabilizar essa integração, estão:

  1. Amadurecimento das rotas de hidrogênio integradas à biomassa;
  2. Valoração adequada do carbono como instrumento econômico;
  3. Fomento à inovação industrial, com inclusão da indústria nacional nas novas cadeias produtivas.

Regulação, certificação e infraestrutura

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforçou seu papel na construção de um ambiente regulatório robusto, inclusivo e transparente. O chefe de núcleo do CPT da ANP, Alex Medeiros, destacou que a agência está construindo regras que contemplem múltiplas rotas tecnológicas.

“Estamos trabalhando de forma agnóstica, tentando contemplar todos os processos com a maior abrangência possível para fazer uma regulação transparente e flexível”, afirmou Medeiros.

Do lado da Abiogás, o diretor executivo Tiago Santovito chamou atenção para a urgência de ampliar a infraestrutura de conexão do biometano ao sistema energético nacional.

“Quando olhamos nossos estudos para 2030, temos uma perspectiva de 35 milhões de m³/dia de biometano colocados no mercado. Nosso potencial pode chegar a 120 milhões, o chamado ‘pré-sal caipira’. Mas para isso, precisamos ser conectados rapidamente às redes de transporte e distribuição”, ressaltou.

Competitividade e neutralidade tecnológica como diferencial

Para Giovani Machado, presidente do Conselho Consultivo da ABH2, a política energética brasileira acerta ao manter a neutralidade tecnológica e promover um ambiente competitivo.

“O grande diferencial do Brasil é agregar stakeholders. O estudo e as apresentações revelam a importância da escolha estratégica feita pelo país: promover uma competitividade estrutural a partir das suas vantagens comparativas, com abertura para diversos modelos de negócio”, concluiu.

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