Senado debate novo marco para compartilhamento de postes entre energia e telecomunicações

Audiência pública promovida pela Comissão de Infraestrutura discute proposta que pode transformar uso de estruturas como postes e dutos, com impacto direto em investimentos, segurança e qualidade dos serviços

A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado realiza nesta terça-feira (6), às 9h, uma audiência pública que promete esquentar os debates entre setores estratégicos da economia. Em pauta está o Projeto de Lei 3.220/2019, que propõe novas regras para o compartilhamento de infraestrutura como postes, dutos e condutos entre distribuidoras de energia elétrica, empresas de telecomunicações.

O debate foi solicitado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), que classificou a proposta como “polêmica” e destacou a necessidade de ouvir especialistas de diversos setores antes de avançar com a tramitação legislativa. “Como se trata de matéria com interesses que podem ser adversos, é de suma importância o debate com os diversos setores para entender os principais pontos de cada um. A audiência deve exaurir os questionamentos para alcançarmos os objetivos da oportuna proposta”, justificou o senador em seu requerimento (REQ 27/2025 – CI).

O que propõe o PL 3.220/2019

De autoria do senador Weverton (PDT-MA), o projeto busca regulamentar de forma clara e definitiva a utilização compartilhada da infraestrutura física — como postes — por diferentes setores da economia. A proposta visa evitar disputas entre distribuidoras de energia e prestadoras de serviços de internet e telefonia, além de abrir espaço para empresas do setor de petróleo.

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Segundo Weverton, a atual ausência de um marco legal específico gera insegurança jurídica, desequilíbrios nos contratos entre as partes e dificuldades práticas que afetam diretamente a expansão e a qualidade dos serviços prestados à população. “Nosso objetivo é tornar esse uso mais eficiente, justo e transparente. Com regras claras, todos ganham: as empresas, o consumidor e o país”, argumenta o parlamentar.

Infraestrutura ociosa, tarifas infladas e conflitos judiciais

Atualmente, as distribuidoras de energia detêm a posse física da maior parte dos postes no Brasil, enquanto empresas de telecomunicações pagam pelo direito de uso desses equipamentos para instalar cabos e outros equipamentos. A falta de normatização sobre preços, responsabilidades e padrões técnicos tem provocado não apenas disputas judiciais, mas também acúmulo de fios, sobrecarga de postes, riscos de acidentes e atrasos na ampliação da conectividade, sobretudo em áreas urbanas densas.

Com a explosão da demanda por banda larga e redes 5G, o tema ganhou ainda mais relevância. Especialistas alertam que sem uma revisão nas regras de compartilhamento, o Brasil pode enfrentar gargalos estruturais que limitam o avanço da transformação digital, além de ampliar o custo de investimentos em infraestrutura.

Convidados refletem diversidade de interesses

A audiência pública contará com a presença de representantes de setores diretamente envolvidos na discussão. Entre os confirmados estão Luiz Henrique Barbosa da Silva, presidente-executivo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp); Ricardo Brandão, diretor-executivo de regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee); e Glauco Sombrio, representante da Associação Catarinense dos Provedores de Internet (Apronet).

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Também foram convidados membros da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

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