Fortescue recebe sinal verde para projeto de Hidrogênio Verde no Pecém

Governo do Ceará e União oficializam primeira fase do megaprojeto de US$ 5 bilhões da Fortescue para produção de hidrogênio verde no Complexo do Pecém, consolidando o estado como polo estratégico de transição energética no Brasil

Em um importante avanço para o setor de energias renováveis, o governo do Ceará e a União oficializaram, nesta quarta-feira (9), a aprovação da primeira fase do megaprojeto da Fortescue, empresa australiana que investirá até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) na produção de hidrogênio verde (H2V) no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). O projeto, que ocupará uma área de 121 hectares dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, é um dos maiores do gênero na América Latina e representa um marco na consolidação do estado como protagonista na transição para uma economia de baixo carbono.

A assinatura da resolução que aprova o início das operações foi realizada em Brasília pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, e pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A aprovação foi deliberada pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) e permite à Fortescue iniciar os trabalhos de terraplanagem ainda em 2024, com previsão de gerar até 5 mil empregos durante a fase de implantação.

Transformação energética e projeção internacional

Segundo o governador Elmano de Freitas, a aprovação da primeira fase do projeto da Fortescue é um passo estratégico para consolidar o Ceará como um dos grandes polos de hidrogênio verde no mundo. “Esse investimento de US$ 5 bilhões nos permite sonhar alto e posicionar o estado na vanguarda da transição energética global. É o início de uma produção de H2V em grande escala, com grande impacto econômico e ambiental”, afirmou o governador.

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O hidrogênio verde, produzido a partir de fontes de energia renovável como a solar e a eólica, é visto como uma solução chave para a descarbonização da indústria global, especialmente em setores como o de transportes, siderurgia e química. No Complexo do Pecém, a Fortescue utilizará 1,2 gigawatts de energia renovável para produzir cerca de 500 toneladas de hidrogênio verde por dia. Essa tecnologia de ponta coloca o Ceará em destaque em um mercado em plena expansão.

Com a aprovação da ZPE, a Fortescue se torna a primeira empresa a obter a liberação para construir uma usina de hidrogênio verde no Pecém. Para Luis Viga, country manager da Fortescue no Brasil, o modelo de Zona de Processamento de Exportação foi crucial para a escolha da empresa de investir no estado. “A ZPE oferece diferenciais competitivos essenciais, com incentivos fiscais, cambiais e de simplificação administrativa, além de segurança jurídica por 20 anos. Isso faz do Ceará o local ideal para este projeto”, destacou Viga.

Polo de H2V do Pecém: Fortaleza da energia limpa

O Complexo do Pecém já desponta como um hub estratégico de energias renováveis no Brasil. O estado do Ceará lidera com a assinatura de 39 memorandos de entendimento com diversas empresas e seis pré-contratos já estabelecidos, entre eles o da Fortescue, que foi o primeiro a avançar para a fase de implantação. Com essa aprovação, o Ceará reforça sua liderança na produção de hidrogênio verde, atraindo novos investimentos internacionais para o CIPP.

Fábio Feijó, presidente da ZPE Ceará, ressaltou a importância desse marco: “O Ceará foi pioneiro na criação de uma ZPE no Brasil e, agora, avança como líder na implantação de um projeto de hidrogênio verde dentro dessa zona. Isso reforça o poder do nosso hub e a relevância do estado no cenário global da transição energética”, afirmou.

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Impacto local e infraestrutura estratégica

Além de consolidar o Ceará como um polo global de H2V, o projeto da Fortescue terá um impacto direto na economia local, com a geração de empregos e o desenvolvimento de infraestrutura. Estima-se que, além dos 5 mil empregos gerados na fase inicial, o projeto movimentará outros setores, como construção civil e logística.

Durante a agenda em Brasília, o governador Elmano de Freitas também se reuniu com ministros para tratar de outras obras estruturantes que beneficiarão o estado. Entre elas, a Transnordestina, cuja conclusão está prevista para 2026, e a duplicação da BR-116, que começará em novembro de 2024. O Cinturão das Águas do Ceará (CAC), obra essencial para garantir o abastecimento de água em regiões do estado, também foi discutido, com previsão de conclusão em 2025.

Em uma reunião com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o governador destacou a importância do Ramal do Salgado, que integra o projeto de transposição do Rio São Francisco, com um investimento de R$ 350 milhões. “Essas obras são essenciais para o desenvolvimento econômico do Ceará e complementam os grandes investimentos que estamos atraindo para o estado”, enfatizou o governador.

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