MRN investe em linha de 98 km para conectar operação ao SIN e reduzir emissões em 90%

Empreendimento de 230 kV em Porto Trombetas, no Pará, inclui travessia de 5,2 km sobre o Rio Trombetas e dará suporte à continuidade da mineração de bauxita

A Mineração Rio do Norte (MRN) está implantando uma linha de transmissão de 98 quilômetros para conectar suas operações em Porto Trombetas, no Pará, ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com tensão de 230 kV, o empreendimento permitirá substituir a geração isolada por energia fornecida pela rede nacional, com redução estimada de 90% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao suprimento energético da mineradora.

O projeto inclui 232 torres e integra a infraestrutura prevista para sustentar o Projeto Novas Minas (PNM), que busca prolongar por mais 15 anos a continuidade das operações de lavra. Em 2026, a linha alcançou o Termo de Aceite Final – Excelência Operacional, conforme informado pela empresa.

Para a MRN, a conexão representa uma mudança na estrutura de suprimento elétrico e na estratégia de modernização dos ativos. O gerente-geral de Implantação de Projetos, Leonardo Paiva, destaca o papel da infraestrutura para a operação: “Esta linha representa uma mudança de patamar para a MRN. Não estamos falando apenas de uma obra de engenharia, mas de uma infraestrutura estratégica que fortalece a segurança energética, reduz significativamente nossa pegada de carbono e cria condições para sustentar o futuro da companhia.”

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Travessia do Rio Trombetas concentra desafio de engenharia

Um dos trechos mais complexos é a travessia de 5,2 quilômetros sobre o Rio Trombetas, projetada com cinco torres de grande porte. A estrutura precisa considerar cargas mecânicas, ação dos ventos e altura livre suficiente para manter a segurança da navegação fluvial.

A logística da obra combinou transporte rodoviário e hidroviário para levar estruturas metálicas e insumos a áreas remotas do Pará. O planejamento também precisou considerar a variação do nível do rio, as condições do solo e as restrições de acesso.

O gerente do Departamento de Construção da MRN, Sérgio Reis, ressalta a necessidade de conciliar os requisitos técnicos e ambientais durante a execução: “Cada decisão de engenharia precisou considerar simultaneamente desempenho, segurança, logística e respeito às características ambientais da região. O PLT demonstra a capacidade da MRN de executar um empreendimento de alta complexidade em plena Amazônia.”

Sobre as condicionantes específicas da travessia, Reis acrescenta: “Consideramos a variação do nível do rio, as condições do solo, as restrições de acesso e a necessidade de reduzir as intervenções na vegetação.”

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Subestação GIS reduz ocupação de terreno

O sistema de suprimento inclui a Subestação Saracá, equipada com tecnologia Gas Insulated Switchgear (GIS), na qual os componentes são isolados a gás. Segundo a MRN, a solução permite reduzir em até 90% a área ocupada em comparação com uma subestação convencional isolada a ar.

O arranjo reúne dez módulos operacionais: quatro em 230 kV e seis em 69 kV. A configuração compacta é especialmente relevante em áreas onde a disponibilidade de terreno e as condições ambientais impõem restrições à implantação de instalações elétricas.

Para verificar a fabricação e os testes de aceitação dos equipamentos, a MRN enviou uma equipe técnica às instalações da fornecedora CHINT, em Xangai, na China. O líder de Projeto da companhia, Guilherme Bomfim, explica o objetivo da inspeção: “Buscamos referências internacionais e acompanhamos de perto a fabricação dos componentes para garantir o atendimento aos requisitos do projeto.”

Obras mobilizaram mais de 1,1 mil trabalhadores

No pico da implantação, no primeiro trimestre de 2026, o empreendimento mobilizou mais de 1.100 trabalhadores. Desse total, 67% eram profissionais do Pará e 49% residiam em Oriximiná, município onde se insere parte da área de influência da operação.

A MRN informa que o projeto abrange a área de influência direta de 19 comunidades, com ações de diagnóstico socioambiental, monitoramento de fauna e flora, recuperação de áreas temporárias e visitas técnicas às obras.

A conexão ao SIN está associada à continuidade da atividade mineradora na região. Em 2025, a empresa produziu 12,8 milhões de toneladas de bauxita, equivalentes a 36% da produção brasileira, e registrou R$ 810,9 milhões em investimentos. No mesmo período, recolheu R$ 389,7 milhões em tributos e realizou R$ 727,5 milhões em compras no mercado paraense.

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