Ocorrências atingiram linhas de 230 kV a 500 kV e mais de uma centena de estruturas de 138 kV; operador avalia reforço da redundância da rede diante dos limites econômicos de ampliar a resistência das torres.
Eventos climáticos severos provocaram a queda de 191 torres de transmissão da rede básica do Sistema Interligado Nacional (SIN) desde 26 de julho, segundo dados apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em 21 de outubro, no Rio de Janeiro. As ocorrências atingiram instalações de 230 kV a 500 kV. Em linhas de 138 kV, mais de uma centena de estruturas também desabaram.
Os números foram divulgados durante a segunda edição do Prêmio ONS de Qualidade na Operação e evidenciam os desafios impostos por tempestades à infraestrutura de transmissão. Entre as medidas em discussão estão o aprimoramento do monitoramento meteorológico, a mobilização antecipada de equipes e o reforço da redundância elétrica e operacional da rede.
Resistência das torres impõe limites técnicos e econômicos
O material apresentado pelo ONS aponta registros de rajadas de vento de até 250 km/h, ante velocidades entre 90 km/h e 100 km/h descritas como historicamente recorrentes. Segundo o release, esses episódios podem superar os parâmetros de suportabilidade considerados nos projetos das estruturas de transmissão.
Elevar a resistência física das torres para suportar ventos extremos também traz limitações econômicas. De acordo com o material, uma estrutura metálica dimensionada para resistir a tempestades dessa magnitude poderia exigir até nove vezes mais aço, tornando o sobredimensionamento uma alternativa de custo elevado.
Nesse cenário, a redundância da rede aparece como uma das estratégias para reduzir o risco de interrupções no suprimento. A abordagem busca ampliar a capacidade de manter o atendimento mesmo quando estruturas ou trechos da infraestrutura são afetados por contingências.
ONS articula prevenção e resposta com transmissoras
O Operador informou que vem articulando ações com concessionárias de transmissão e fabricantes de equipamentos, com ênfase no monitoramento meteorológico e na preparação das equipes responsáveis pela recomposição das instalações.
Os dados também aponta a expectativa de intensificação das tempestades entre dezembro e janeiro, o que aumenta a importância do planejamento preventivo e da coordenação entre o centro de controle do ONS e os agentes responsáveis pelos ativos.
Apesar das avarias relatadas, o Operador atribui à atuação das equipes de campo e à coordenação operacional a continuidade do suprimento nas redes regionais afetadas. O material, porém, não detalha a duração das interrupções, a localização das torres atingidas nem os custos de recomposição.



