Após leilão da PPSA, Abegás defende contratos de longo prazo e acesso à infraestrutura

Venda de 1,1 milhão de m³/dia reforça interesse por suprimento competitivo; entidade defende previsibilidade contratual e acesso à infraestrutura para ampliar o mercado

A venda integral dos 1,1 milhão de metros cúbicos por dia (m³/dia) de gás natural ofertados pela União no primeiro leilão da Pré-Sal Petróleo (PPSA) reforçou a discussão sobre competitividade do insumo no mercado brasileiro. Diante do resultado, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) defende a ampliação dos contratos de longo prazo e a garantia de acesso à infraestrutura de escoamento, processamento e transporte.

Para a entidade, o desenvolvimento do mercado depende de condições comerciais e regulatórias que permitam ampliar a oferta aos consumidores, especialmente à indústria, e dar previsibilidade aos investimentos em produção e distribuição.

Leilão sinaliza busca por gás mais competitivo

O diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, avalia que a comercialização de todo o volume disponibilizado pela PPSA evidencia a expectativa da indústria por preços mais competitivos para o gás natural.

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O resultado indica que houve demanda suficiente para absorver a oferta colocada em disputa, embora não permita, isoladamente, dimensionar a demanda reprimida do setor industrial ou estimar os efeitos sobre a utilização da capacidade produtiva.

A redução dos custos energéticos é um dos fatores que podem favorecer a competitividade de segmentos industriais que utilizam o gás natural como combustível ou matéria-prima. Para converter essa sinalização em aumento sustentado do consumo, porém, o mercado precisa de condições de suprimento compatíveis com o horizonte de planejamento das empresas.

Abegás defende contratos de longo prazo

Apesar de considerar positivo o resultado do certame, a Abegás avalia que leilões pontuais não substituem uma política de comercialização capaz de oferecer previsibilidade ao mercado. Mendonça defende que o modelo também contemple contratos de longo prazo, que permitam aos compradores planejar custos e aos fornecedores estruturar suas estratégias comerciais.

A previsibilidade contratual é relevante para investimentos industriais intensivos em energia e para a expansão das redes de distribuição. Esses projetos dependem de perspectivas de demanda e de condições de fornecimento que se estendam além de oportunidades isoladas de compra.

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Acesso à infraestrutura permanece como desafio

Além do desenho dos contratos, a Abegás aponta o acesso às infraestruturas essenciais como condição para ampliar a concorrência e viabilizar o fornecimento de gás aos consumidores. O debate envolve os sistemas de escoamento da produção, as unidades de processamento e a rede de transporte.

A disponibilidade de molécula, por si só, não garante que o gás chegue aos mercados consumidores em condições competitivas. A capacidade de movimentação, as condições de acesso e os custos associados à infraestrutura também influenciam o preço final e a viabilidade de novos negócios.

Na avaliação da entidade, o avanço regulatório nesses pontos é necessário para transformar oportunidades de suprimento em uma expansão consistente do mercado brasileiro de gás natural.

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