UHR Salto Timbé do Sul (5,2 MW), em Santa Catarina, inaugura aplicação prática do enquadramento regulatório de SAE em ciclo fechado.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) concedeu o primeiro registro prévio para um projeto de usina hidrelétrica reversível em ciclo fechado enquadrado como Sistema de Armazenamento de Energia (SAE) no país. Trata-se do empreendimento UHR Salto Timbé do Sul, desenvolvido pela AMUR Ltda., com potência instalada prevista de 5,2 MW no município de Timbé do Sul (SC).
A decisão foi formalizada pelo Despacho nº 3.960/2026, publicado no Diário Oficial da União, tendo como base a Resolução Normativa ANEEL nº 1.161/2026, que estabeleceu os critérios para o enquadramento regulatório de sistemas de armazenamento no setor elétrico brasileiro.
O alcance do DRO-SAE
O instrumento concedido é o Documento de Requerimento de Outorga para Sistema de Armazenamento de Energia (DRO-SAE), uma etapa prévia e facultativa no desenvolvimento de projetos. O registro possui validade de quatro anos improrrogáveis e serve como respaldo institucional para avançar no licenciamento ambiental e no diálogo com agentes financeiros.
O mecanismo, contudo, não equivale à autorização definitiva para implantação e operação do complexo, tampouco garante reserva de capacidade na rede elétrica ou preferência sobre outros empreendimentos. O desenvolvedor pode optar por solicitar a outorga definitiva a qualquer tempo durante o processo.
Diferencial do ciclo fechado
O projeto de Salto Timbé do Sul marca a estreia desse enquadramento em uma usina reversível em ciclo fechado (pure pumped storage). A tecnologia opera por meio do bombeamento de água entre reservatórios nos momentos de excedente energético e posterior turbinação quando há demanda por geração.
Diferentemente das UHRs convencionais integradas a cursos d’água, o modelo em ciclo fechado utiliza reservatórios dedicados e independentes do fluxo contínuo dos rios. Essa autonomia em relação à vazão fluviais justifica o seu enquadramento estrito como ativo de armazenamento e gestão de energia.
Flexibilidade e suporte ao SIN
A introdução de usinas reversíveis enquadradas como SAE reforça o leque de soluções para a flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN). À medida que a matriz elétrica expande a participação de fontes variáveis, como eólica e solar, a capacidade de deslocar blocos de energia entre diferentes períodos do dia torna-se crítica para a segurança do suprimento.
Além de mitigar os picos de consumo nos horários de ponta, instalações desse tipo podem prestar serviços ancilares, como controle de frequência e suporte de tensão à rede elétrica. A despeito do avanço regulatório, o ato publicado pela ANEEL não traz detalhes sobre a capacidade total de armazenamento em MWh, o cronograma das obras ou o volume de investimentos previstos para o ativo catarinense.



