Startup brasileira desenvolve tecnologia para gerar eletricidade com ondas do mar

WaveNex prevê módulos para aplicações costeiras, embarcações e indústrias, com integração a baterias e fontes renováveis; desempenho e viabilidade comercial ainda dependem de validação em ambiente marinho.

A Wavenex Tech desenvolve o WaveNex, sistema brasileiro de conversão da energia das ondas do mar em eletricidade. A tecnologia utiliza mecanismos de captação do movimento da água e volantes de inércia para armazenar energia cinética antes da conversão elétrica. O projeto tem patente verde concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e prevê cinco configurações para aplicações que vão da geração costeira ao fornecimento de energia para instalações industriais.

A arquitetura também contempla a integração com sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e com fontes renováveis, como eólica e solar. A proposta busca aproveitar o movimento das ondas para ampliar as alternativas de geração limpa, especialmente em regiões costeiras.

Volantes de inércia compõem arquitetura do sistema

O WaveNex combina estruturas mecânicas que captam a oscilação das ondas, sistemas de transmissão de movimento e geradores elétricos. Os volantes de inércia são utilizados para armazenar energia mecanicamente e contribuir para o controle do movimento do conjunto.

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O idealizador do projeto, Guilherme de Martin, destaca que a arquitetura também foi concebida para aplicações embarcadas: “Os modelos WaveNex utilizam conjuntos de volantes de inércia para armazenamento mecânico e geração de energia mediante impulsionamento multifaseado, o que confere alta densidade energética na geração além de também auxiliar na estabilização lateral (roll) das embarcações.”

A aplicação desse conceito em embarcações depende da comprovação de desempenho, segurança e integração com os sistemas elétricos e mecânicos de bordo. O material divulgado não apresenta dados de potência instalada, eficiência de conversão ou geração anual estimada.

Projeto prevê cinco aplicações comerciais

A Wavenex estruturou cinco modelos de aplicação. O Costeiro prevê a instalação de módulos para injeção de eletricidade na rede de distribuição. O Embarcações propõe geração a bordo, com fornecimento para serviços internos, recarga de baterias e propulsão elétrica.

O modelo Condomínios é direcionado a resorts, empreendimentos turísticos e residenciais próximos ao litoral. Já o Refinarias busca atender complexos industriais e unidades de refino costeiras. A quinta configuração, Híbrido, prevê a combinação da geração ondomotriz com parques eólicos offshore ou costeiros e usinas solares fotovoltaicas.

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As configurações representam os mercados pretendidos pelo projeto. A adoção em cada segmento dependerá de fatores como disponibilidade do recurso energético, conexão elétrica, custos de implantação e manutenção e compatibilidade com as condições locais.

Manutenção é um dos desafios da energia oceânica

A exposição contínua à água salgada, a corrosão e os esforços mecânicos impostos pelo ambiente marinho são desafios para tecnologias de geração a partir das ondas. A confiabilidade dos componentes e a frequência de intervenções de manutenção influenciam diretamente o custo da energia produzida.

João Carvalho, cofundador do projeto e CEO da Mentors Energy, aponta a diferenciação pretendida em relação a outras soluções: “O conceito Wavenex não é inédito, mas muito diferenciado comparado a outros modelos desenvolvidos em outros países, e também no Brasil, quando sugere maior capacidade de geração e baixos custos de manutenção.”

A avaliação de competitividade, contudo, exige dados comparáveis de potência, eficiência, disponibilidade operacional, vida útil e custo de manutenção. O material divulgado não apresenta indicadores que permitam mensurar esses aspectos em relação a outras tecnologias ondomotrizes.

Validação em mar aberto será decisiva

A patente verde concedida pelo INPI está relacionada à propriedade intelectual do projeto, mas não equivale à certificação de desempenho ou à comprovação de viabilidade econômica. Para avançar comercialmente, a tecnologia precisará demonstrar funcionamento confiável em condições reais de operação, incluindo variações do estado do mar e exposição prolongada à corrosão.

A validação em escala real será determinante para avaliar a capacidade de geração, a durabilidade dos componentes e o custo de energia ao longo da vida útil. Também serão necessários dados sobre investimento, produção elétrica e integração à rede ou às cargas atendidas para dimensionar o potencial de aplicação do WaveNex.

Se esses requisitos forem comprovados, a tecnologia poderá integrar projetos de geração distribuída costeira, eletrificação de embarcações e sistemas híbridos com outras fontes renováveis. Por enquanto, o projeto se apresenta como uma proposta de desenvolvimento nacional cuja competitividade ainda depende de validação técnica e econômica.

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