Segunda unidade de 225 mil bpd enviada ao pré-sal da Bacia de Santos em menos de um mês, FPSO integra a classe de maiores plataformas próprias da Petrobras e tem primeiro óleo previsto para 2027.
A Petrobras iniciou o deslocamento da plataforma P-82 do estaleiro Tuas Boulevard Yard, em Singapura, com destino ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. O FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading) é a segunda unidade de grande porte enviada para a locação no pré-sal em um intervalo inferior a 30 dias, sucedendo a P-80, que iniciou navegação no fim de setembro. Com capacidade nominal para produzir 225 mil barris de óleo por dia (bpd) e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás natural diários, a P-82 tem entrada em operação prevista para 2027.
A unidade faz parte de um conjunto de seis plataformas de altíssima capacidade contratadas pela estatal para otimizar o fator de recuperação em ativos estratégicos. Com 345,3 metros de comprimento, 60 metros de largura e mais de 100 mil toneladas de deslocamento, a P-82 integra a série que abrange também as plataformas P-80, P-83, P-84 e P-85, destinadas aos campos de Búzios, Atapu e Sépia.
Padronização em série e ganho de prontidão operacional
A construção da série 80 foi estruturada sob o modelo EPC (Engineering, Procurement, Construction and Commissioning), atribuindo à contratada a responsabilidade integral pelo projeto de engenharia, suprimentos, montagem e comissionamento. A estratégia de replicabilidade de projetos em série busca capturar ganhos de escala, reduzir custos de engenharia e mitigar riscos de cronograma na execução dos projetos de E&P no pré-sal.
Para acelerar a curva de aprendizagem e a prontidão operacional, a Petrobras adotou a navegação direta da unidade para a locação final com tripulação a bordo, reduzindo o tempo de preparação antes da ancoragem e conexão dos poços. Parte dos módulos de processo foi fabricada no Brasil, no Estaleiro Seatrium Aracruz (ES), combinando conteúdo local com a integração de módulos fabricados na China e em Singapura.
Ao avaliar a evolução metodológica na entrega dos grandes ativos offshore, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, destaca a incorporação contínua de lições aprendidas nos processos construtivos: “Mesmo com reconhecimento mundial em desenvolver e entregar plataformas de grande porte para operar nas águas profundas brasileiras, a Petrobras está sempre atenta a melhorias. Isso inclui o diálogo permanente com os estaleiros e os diversos fornecedores e a incorporação de lições aprendidas e inovações.”
Aporte no E&P e infraestrutura do campo de Búzios
A chegada da P-82 consolida a trajetória de expansão do campo de Búzios, considerado o maior ativo em águas ultraprofundas do mundo em reservas e volume de produção. Operado pela Petrobras em parceria com as chinesas CNOOC e CNPC, além da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) na gestão do contrato de partilha, o campo deve alcançar um total de 11 plataformas operacionais até o final de 2027.
O avanço das unidades de 225 mil bpd sustenta o Plano Estratégico da Petrobras para o quinquênio 2026-2030, que prevê investimentos globais de US$ 109 bilhões, dos quais 75% estão direcionados ao segmento de Exploração e Produção. As novas unidades da classe 80 incorporam sistemas de eficiência energética e soluções de mitigação de emissões, reduzindo a intensidade de carbono por barril produzido na Bacia de Santos.


