Atlas Critical Minerals estima 24,2 milhões de toneladas de minério de grafite em MG

Estimativa inicial no projeto Malacacheta aponta 1,36 milhão de toneladas de carbono grafítico contido; sondagens cobriram apenas 2,5 quilômetros de um corredor mineralizado de 11 quilômetros

A Atlas Critical Minerals anunciou nesta terça-feira (29) uma estimativa inicial de recursos minerais para o projeto de grafite Malacacheta, em Minas Gerais, com 24,2 milhões de toneladas de minério e aproximadamente 1,36 milhão de toneladas de carbono grafítico contido. O levantamento foi elaborado pela SGS Canada e integra o relatório técnico apresentado pela companhia à Securities and Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos.

Do total estimado, 17,2 milhões de toneladas estão classificadas como recursos indicados, com teor médio de 5,73% de carbono grafítico, enquanto outros 7 milhões de toneladas são recursos inferidos, com teor médio de 5,40%. A estimativa considera teor de corte de 2% de carbono grafítico e tem data efetiva de 14 de setembro de 2026.

A classificação é relevante porque o projeto ainda está em fase de exploração. O recurso mineral representa uma estimativa geológica do material identificado e não equivale a reservas minerais ou a uma projeção de produção. A conversão para categorias mais avançadas e a avaliação de viabilidade econômica dependem de novas etapas de exploração, estudos técnicos e testes metalúrgicos.

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Sondagem cobre menos de um quarto do corredor

A estimativa foi construída a partir de 21 furos de sondagem realizados em 2026, que totalizaram 2.393,9 metros. Todos os furos identificaram intervalos significativos de mineralização de grafite, com interceptos de destaque de 43,1 metros a 6,20% de carbono grafítico e 17,3 metros a 10,62%. Em 11 dos 21 furos, a mineralização foi identificada nos primeiros dez metros de perfuração.

O recurso delimitado, porém, corresponde a apenas cerca de 2,5 quilômetros de um corredor mineralizado de aproximadamente 11 quilômetros. O trecho está inserido em uma área de cerca de 997 hectares, enquanto os três direitos minerais contíguos que formam o projeto somam aproximadamente 2.822 hectares.

A extensão ainda não investigada é um dos principais vetores de exploração da companhia. Segundo a Atlas, aproximadamente 8,5 quilômetros do corredor permanecem sem sondagem, além de haver potencial para ampliar a mineralização em profundidade. A SGS considera o depósito compatível com uma eventual operação a céu aberto.

“Este recurso inicial é um marco decisivo para a Atlas Critical Minerals e, acreditamos, para o fornecimento de grafite nas Américas”, afirma Marc Fogassa, presidente do conselho e diretor presidente da companhia.

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Teor e comparação internacional

A Atlas afirma, com base em sua análise de informações técnicas públicas, que Malacacheta seria o maior recurso de grafite reportado na América do Sul sob padrões internacionais de divulgação mineral, considerando o volume de carbono grafítico contido. A comparação é uma avaliação da própria companhia e não deve ser confundida com uma classificação independente de mercado.

O teor de 5,73% de carbono grafítico dos recursos indicados também é apontado pela empresa como aproximadamente 25% superior aos 4,6% reportados para os recursos medidos e indicados de Graphite Creek, no Alasca, considerando o mesmo teor de corte de 2%.

“Nosso relatório inicial de grafite já aponta para um ativo de qualidade”, diz Fogassa. Segundo o executivo, amostras do projeto foram processadas e qualificadas por um laboratório nos Estados Unidos para uso em baterias de veículos elétricos e reatores nucleares.

O histórico técnico do projeto já registra testes metalúrgicos com concentração do grafite por flotação. Em relatório técnico anterior preparado pela SGS, amostras submetidas aos testes produziram concentrados com teores de carbono grafítico superiores a 90%, indicando a possibilidade de concentração do material por métodos convencionais.

Próxima etapa será ampliar recurso e avançar nos testes

A Atlas pretende direcionar a próxima fase para novas sondagens ao longo do corredor mineralizado, além de trabalhos de infill para ampliar o conhecimento geológico e, potencialmente, elevar parte dos recursos inferidos para a categoria indicada.

A companhia também prevê novos testes metalúrgicos, incluindo otimização da flotação, avaliação da distribuição granulométrica e estudos de variabilidade. A estratégia acompanha as recomendações técnicas para ampliar e aprimorar a estimativa de recursos.

O próximo marco econômico do projeto está previsto para o segundo trimestre de 2027, quando a empresa pretende apresentar uma avaliação econômica preliminar (PEA). Até lá, o avanço dependerá da expansão dos recursos, do desempenho dos testes metalúrgicos e dos estudos de engenharia e econômicos.

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