ONS reforça segurança do SIN com restrições de transmissão e despacho térmico nas eleições

Operação especial será adotada nos dois turnos do pleito, com critério N-3 em trecho estratégico, limites de fluxo nos elos de corrente contínua e equipes de agentes em sobreaviso

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estabeleceu uma operação especial para reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) durante as Eleições Gerais de 2026. As medidas serão aplicadas entre 3 e 5 de outubro, no primeiro turno, e entre 24 e 26 de outubro, no segundo turno, com o objetivo de preservar a continuidade e a qualidade do suprimento de energia durante o período de maior mobilização associado ao pleito.

A estratégia, formalizada na CTA-ONS DOP 1414/2026, assinada pelo diretor de Operação, Valter Luiz Cardeal de Souza, impõe restrições temporárias a intervenções na rede, estabelece limites para corredores de transmissão e determina medidas adicionais de geração em áreas consideradas mais sensíveis a contingências.

Intervenções na rede terão restrições

Durante as janelas de operação especial, o ONS determinou que não sejam realizadas intervenções em instalações e equipamentos da rede de operação que possam provocar perda de carga ou representar risco de perda de carga em qualquer ponto do território nacional.

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A regra vale das 0h de 3 de outubro às 7h de 5 de outubro e das 0h de 24 de outubro às 7h de 26 de outubro. Serviços considerados inadiáveis poderão ser realizados quando relacionados à preservação de vidas, à integridade dos equipamentos ou à segurança do SIN. A liberação de intervenções em unidades geradoras ficará condicionada à avaliação técnica do operador.

Nos dias de votação, 4 e 25 de outubro, as exigências serão ampliadas. Entre 0h e 24h, o SIN deverá ser operado para atender ao critério de perda tripla (N-3) no tronco de transmissão entre as subestações de Foz do Iguaçu e Tijuco Preto.

ONS limita fluxos em corredores estratégicos

A diretriz também estabelece limites específicos para os grandes sistemas de transmissão em corrente contínua. A soma dos fluxos dos elos Xingu–Estreito e Xingu–Terminal Rio deverá permanecer limitada a 4.000 MW no sentido de Xingu para Estreito e Terminal Rio. O ONS recomenda, preferencialmente, a divisão desse montante entre os dois bipolos. O limite foi definido para preservar o desempenho do SIN diante da perda de um bipolo.

Nos Bipolos do Madeira, o limite será de 4.100 MW quando os Bipolos 1 e 2 estiverem em configuração bipolar. Caso estejam em configuração duplo monopolar, o teto será de 2.100 MW. A medida busca evitar sobrecarga no polo remanescente em uma situação de contingência.

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O documento ainda determina limites para os fluxos nas interligações Norte/Sudeste e Norte/Nordeste. O FNS deverá ficar em 2.200 MW e o FSM em 4.000 MW para reduzir a possibilidade de atuação de esquemas especiais de proteção em caso de perdas duplas na interligação Norte/Sudeste. Na interligação Norte/Nordeste, os limites estabelecidos são de 5.800 MW para o FNEN e 8.300 MW para o FNESE.

Geração térmica será reforçada em áreas críticas

A estratégia do ONS prevê também maior disponibilidade de geração em regiões nas quais uma contingência poderia aumentar o risco de atuação de esquemas automáticos de proteção e corte de carga.

Nas áreas de Manaus, Macapá e Roraima, toda a geração termelétrica disponível deverá ser despachada. O operador também determina a maximização, dentro das condições operativas, das hidrelétricas Balbina, Coaracy Nunes, Cachoeira Caldeirão, Ferreira Gomes e Santo Antônio do Jari.

No Nordeste, as UTEs Termonordeste e Termoparaíba poderão ser despachadas para reduzir o risco de atuação de esquemas especiais de proteção com corte de carga na região metropolitana de João Pessoa. O montante de geração será definido durante a programação eletroenergética.

No subsistema Sudeste, o ONS determinou a programação e manutenção da UTE Termorio acima de 800 MW para mitigar as consequências de uma eventual atuação de esquema especial de proteção associada à perda dupla na subestação São José.

Fora dessas áreas específicas, o documento afirma não haver necessidade de geração térmica adicional para o pleno atendimento das demais regiões do SIN.

Agentes terão equipes de prontidão

A operação especial também alcançará geradores, transmissoras e distribuidoras. Os agentes deverão manter equipes de operação e manutenção em regime de sobreaviso, com foco na resposta a ocorrências emergenciais e no restabelecimento de cargas e equipamentos considerados críticos.

O ONS orienta ainda que sejam evitados serviços na malha de subtransmissão e distribuição que possam provocar interrupções de carga em decorrência de acidentes ou imprevistos. As empresas deverão adotar, sempre que possível, procedimentos adicionais de segurança em suas respectivas redes.

A lista de destinatários da diretriz inclui agentes de geração, transmissão e distribuição de diferentes regiões do país, além de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Monitoramento meteorológico será reforçado

Além das medidas elétricas e de disponibilidade de geração, o ONS manterá monitoramento contínuo das condições meteorológicas nas instalações do SIN durante o período.

A intenção é antecipar a identificação de áreas com maior probabilidade de tempestades severas, incluindo eventos associados a ventos fortes, chuvas intensas e descargas atmosféricas. A partir dessas informações, o operador poderá adotar medidas preventivas para reduzir os impactos de eventuais contingências.

A estratégia definida para as eleições combina, portanto, redução temporária da exposição da rede a intervenções, limites de transferência nos principais corredores, maior disponibilidade de geração em áreas específicas e prontidão dos agentes. As medidas estarão concentradas nos períodos que antecedem e sucedem cada turno, com reforço máximo das condições de segurança durante os domingos de votação.

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