Shape Lumen identifica causas de eventos de flare em tempo real e pode reduzir em mais de 12% as emissões diárias associadas à queima de gás
A Shape Digital lançou uma solução de inteligência artificial voltada à redução da queima não planejada de gás em unidades de produção de petróleo e gás, incluindo FPSOs. O Shape Lumen combina dados de engenharia e algoritmos de IA para identificar as causas de desvios operacionais, antecipar riscos e apoiar ações de mitigação em tempo real.
A tecnologia já foi aplicada em um caso que registrou redução média superior a 12% nas emissões diárias decorrentes de flaring não planejado. Em uma simulação para um FPSO com produção de 200 mil barris de petróleo por dia, a redução foi estimada em até US$ 200 mil por ano, considerando preços de gás e de carbono adotados no cálculo.
IA rastreia causas de eventos de flare
O Lumen monitora variáveis dos sistemas de gás, água e óleo e verifica o comportamento dos equipamentos em relação aos limites operacionais. Quando identifica uma condição fora do padrão, a ferramenta analisa as variações dos sensores anteriores ao evento para determinar possíveis causas.
Segundo a Shape Digital, esse processo permite classificar a origem dos desvios hora a hora e reduzir uma atividade que poderia exigir até dez dias de análise manual por engenheiros para uma avaliação próxima do tempo real.
A ferramenta também utiliza modelos preditivos para projetar a tendência mensal de flaring e emitir alertas quando os dados indicam risco de ultrapassagem de limites regulatórios.
MODEC amplia uso para dez FPSOs
A solução foi apresentada pela Shape Digital na GASTECH 2025, em Milão. Após a realização de um projeto-piloto, a MODEC ampliou a aplicação da tecnologia, em 2026, para dez FPSOs em operação no Brasil. A empresa afirma que a abordagem pode ser utilizada tanto em ativos offshore quanto onshore, com foco na identificação de gargalos operacionais que podem resultar em episódios de queima não rotineira.
Para Leonardo Machado, VP de Growth da Shape Digital, o monitoramento de flare envolve desafios operacionais, ambientais e regulatórios: “O monitoramento e a análise de flare tradicionalmente são pontos críticos para a indústria de petróleo e gás devido ao desperdício de combustível, ao impacto das emissões e ao elevado risco de multas regulatórias. O Lumen transforma dados complexos de engenharia de processos em ações diretas de mitigação, permitindo antecipar gargalos e evitar que eventos de queima não rotineira ocorram com frequência.”
Implementação pode levar cerca de um mês
De acordo com a Shape Digital, a implementação do Lumen em uma unidade offshore pode ser concluída em aproximadamente um mês, desde que a instalação disponha da instrumentação básica necessária para coleta dos dados.
A empresa prevê ampliar a aplicação da solução no Brasil e em outros mercados, acompanhando a demanda da indústria de óleo e gás por ferramentas de monitoramento operacional, redução de emissões e maior controle sobre eventos de flaring.



