Boletim nº 02 do Serviço Geológico do Brasil projeta impactos nas calhas hidrográficas e nos reservatórios operacionais para o trimestre ASO de 2026
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou o Boletim Mensal nº 2 do Painel El Niño 2026/2027, confirmando a consolidação do fenômeno climático com alta probabilidade de atingir forte intensidade no Pacífico Equatorial. O evento deve permanecer ativo até 2027, com impactos hidrológicos diretos sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) e a operação dos reservatórios de usinas hidrelétricas no trimestre de agosto, setembro e outubro (ASO) de 2026.
As projeções do órgão regulador e de monitoramento indicam uma assimetria no regime de precipitação do país: enquanto a Região Sul deve registrar chuvas acima da média histórica, as Regiões Norte e Nordeste enfrentarão volumes pluviométricos abaixo do padrão, com risco de retardo no início do período úmido nas principais bacias do subsistema Norte.
Assimetria regional e impactos nas bacias do SIN
O boletim é fruto do monitoramento integrado realizado pelo INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM. O documento detalha as projeções de vazão e comportamento dos níveis dos rios por subsistema hidroenergético.
No Nordeste, a perspectiva de chuvas abaixo da média, sob influência do El Niño, tende a dificultar a recuperação dos reservatórios e manter o padrão seco no segundo semestre. No Norte, embora as bacias operem em níveis de normalidade no momento, o SGB mantém monitoramento contínuo diante do risco de precipitações reduzidas e de um eventual atraso na estação chuvosa. Já no Sul, a previsão de chuvas acima da média, já confirmada por inundações recentes , pode elevar ainda mais as calhas dos rios, exigindo acompanhamento constante das condições locais.
Implicações para o ONS e para a valoração do CMO
A confirmação da persistência do El Niño até 2027 coloca em alerta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A expectativa de atraso na recuperação dos reservatórios do Nordeste e a redução de afluências nas usinas com reservatórios de acumulação da Região Norte podem pressionar o Custo Marginal da Operação (CMO) nos próximos meses de escassez hídrica.
Por outro lado, o volume elevado de afluências projetado para o subsistema Sul deve exigir estratégias de vertimento e controle de cheias para mitigar riscos operacionais, ao mesmo tempo em que eleva a Energia Armazenada (EAR) na bacia do rio Paraná e afluentes do Sul, amenizando parcialmente a dependência térmica do sistema.



