Projeto integrado no Porto do Pecém adota modelo “Gas-to-Power”, combinando 1,14 GW de capacidade térmica a um novo terminal de GNL com vazão de 14 milhões de m³/dia
A região Nordeste acompanha o início físico de um dos maiores investimentos privados estruturantes do país. A Eneva, em parceria com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), lançou nesta terça-feira (9) a pedra fundamental do Hub Ceará. O empreendimento adota o modelo de negócios integrado Gas-to-Power, combinando a geração termelétrica de grande porte à instalação de uma robusta infraestrutura de regaseificação e suprimento de combustível. Com as obras civis programadas para começar ainda este mês, o projeto totaliza um aporte de aproximadamente R$ 6 bilhões.
A engenharia financeira e de suprimentos do complexo está ancorada na contratação antecipada dos pacotes de turbogeradores e equipamentos críticos. Essa blindagem de insumos confere previsibilidade ao cronograma de comissionamento perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e mitiga os riscos de execução cambial e logística comuns a projetos dessa magnitude.
Flexibilidade operativa e o papel da térmica na segurança do SIN
A modelagem técnica do Hub Ceará prevê a coexistência coordenada de dois elos da cadeia energética. O braço de geração elétrica será composto pelas usinas termelétricas (UTEs) Jandaia II e Jandaia III, que somam uma capacidade instalada de 1.147 MW contratada por um prazo regulatório de 15 anos.
A garantia de combustível para o acionamento dessas turbinas será assegurada por um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) de última geração no Porto do Pecém, integrado à construção do “Píer Zero”, ativo portuário dedicado exclusivamente ao transbordo e movimentação do insumo com capacidade de vazão estimada em 14 milhões de m³/dia.
Ao contextualizar a importância de ativos flexíveis e despacháveis para dar lastro à expansão das fontes renováveis intermitentes no Nordeste, o diretor-executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios da Eneva, Marcelo Lopes, defendeu o valor estratégico da matriz térmica: “Esse novo ciclo de investimento é extremamente importante para a companhia e para o desenvolvimento do Nordeste. Nossa parceria com o Porto de Pecém e com o governo do Ceará tem sido fundamental para o andamento deste projeto. Sabemos que o Brasil é um país rico em diversas fontes elétricas, mas a térmica tem um papel crucial para a segurança energética, atendendo com capacidade plena, sempre que o ONS demandar, e para garantir o suprimento 24 horas por dia, sete dias por semana.”
Diversificação da matriz regional e reestruturação portuária
Do orçamento global de R$ 6 bilhões alocado pela Eneva para o projeto, a maior fatia, na ordem de R$ 5,4 bilhões, destina-se à montagem eletromecânica e engenharia das duas plantas de geração. Os R$ 477 milhões remanescentes financiam as obras de infraestrutura de gás e a instalação do terminal aduaneiro. O complexo atua diretamente no fortalecimento do subsistema Nordeste, posicionando o Ceará como um centro de convergência industrial e atração de indústrias intensivas em consumo de energia.
Durante o evento de descerramento da placa fundamental, o governador do Ceará, Elmano de Freitas, sinalizou a relevância do empreendimento privado para a estabilidade do abastecimento nacional e para a atratividade do estado: “Quando falamos de energia, estamos falando de transição energética e é extremamente importante que nosso estado mantenha essa riqueza de energia diversificada. Queremos garantir que essa diversificação supra a demanda de todos os brasileiros. Quero agradecer à Eneva por investir no Ceará e garantir energia com segurança e confiabilidade. Com esses investimentos da Eneva e com aportes públicos estamos construindo um novo Porto para o país.”
A consolidação da planta integrada como âncora energética do Cipp também foi endossada pelo presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino. O executivo destacou que a chegada dos investimentos da Eneva consolida o momento de expansão do terminal portuário e adiciona uma camada crucial de robustez e segurança operacional para toda a infraestrutura da região.
Efeito multiplicador e política de conteúdo local
Os impactos econômicos da construção do Hub Ceará refletem o potencial de indução socioeconômica da cadeia de infraestrutura pesada. A estimativa das empresas contratantes sinaliza para a abertura de mais de 2.200 postos de trabalho diretos e indiretos no pico das atividades no canteiro de obras.
Alinhada às diretrizes de governança social e corporativa da operadora, a política de recursos humanos estabelece que 83% da mão de obra mobilizada nas unidades operacionais seja recrutada diretamente nas comunidades do entorno do complexo de Pecém, maximizando a retenção de renda, a qualificação da cadeia de fornecedores regionais e o recolhimento de tributos municipais.



