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Consórcio em Minas Gerais cria modelo inédito de logística de baixo carbono para transporte pesado com GNV e energia renovável

Consórcio em Minas Gerais cria modelo inédito de logística de baixo carbono para transporte pesado com GNV e energia renovável

Parceria entre Cemig, Gasmig, Grupo SADA e Logás integra abastecimento por gasodutos e eletricidade limpa certificada para acelerar a descarbonização do setor rodoviário

A descarbonização do transporte rodoviário de cargas ganhou um novo capítulo em Minas Gerais com a criação de um modelo integrado que reúne infraestrutura de distribuição de gás natural, energia elétrica renovável e operação logística em uma única cadeia de abastecimento. A iniciativa, desenvolvida pela Energia Livre Cemig, Gasmig, Grupo SADA e Logás, foi apresentada durante a Semana do Meio Ambiente 2026 e busca demonstrar que é possível reduzir emissões sem comprometer a competitividade operacional das frotas pesadas.

O projeto representa uma experiência inédita no estado ao combinar caminhões movidos a gás natural veicular (GNV), abastecimento diretamente pela rede de gasodutos e utilização de energia elétrica 100% renovável certificada para alimentar o sistema de compressão do combustível. A proposta também prepara a infraestrutura para uma futura migração ao biometano, reforçando seu alinhamento com as estratégias de transição energética.

A iniciativa surge em um momento em que o transporte rodoviário permanece como um dos maiores desafios para a agenda climática brasileira. Responsável por cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono do setor de transportes no país, o segmento ainda depende majoritariamente do diesel para movimentar mais de 90% de sua frota pesada.

Integração entre energia e gás elimina emissões indiretas da operação

O modelo desenvolvido pelo consórcio vai além da substituição do combustível utilizado pelos veículos. A estratégia busca reduzir emissões ao longo de toda a cadeia de abastecimento por meio da integração entre infraestrutura de gás canalizado e fornecimento de eletricidade proveniente do mercado livre.

Na fase inicial, 21 caminhões pesados do Grupo SADA passam a operar utilizando gás natural veicular abastecido em uma estrutura dedicada da Logás, conectada diretamente à rede da Gasmig. O diferencial está no fato de que toda a energia consumida para compressão do gás é suprida por fontes renováveis certificadas comercializadas pela Energia Livre Cemig.

Além de reduzir as emissões associadas ao consumo energético, o arranjo elimina a necessidade de transporte do GNV por caminhões-tanque, retirando da operação uma etapa logística adicional que normalmente gera emissões indiretas de carbono. Como resultado, o complexo recebeu o Selo Posto GNV Sustentável.

Ao comentar a proposta, o vice-presidente de Comercialização da Cemig, Sérgio Lopes Cabral, destaca que a integração entre diferentes segmentos energéticos amplia os resultados ambientais obtidos pelo projeto: “O desafio da descarbonização exige soluções integradas. Ao combinar gás natural, infraestrutura eficiente e energia renovável certificada, conseguimos criar um modelo capaz de gerar ganhos ambientais imediatos e contribuir para uma logística mais sustentável”.

Estrutura prepara caminho para a expansão do biometano

Embora o gás natural seja considerado um combustível de transição, sua adoção no transporte pesado pode criar as bases para uma futura incorporação de fontes renováveis, especialmente o biometano produzido a partir de resíduos agroindustriais. A infraestrutura implantada no projeto foi concebida para permitir essa evolução tecnológica sem necessidade de mudanças estruturais significativas, oferecendo maior flexibilidade para operadores logísticos e embarcadores.

Na avaliação do diretor técnico-comercial da Gasmig, Rodrigo Pazzini, a prioridade do setor deve ser implementar soluções imediatamente disponíveis enquanto prepara o terreno para alternativas de menor intensidade de carbono: “A transição energética passa necessariamente pelo setor de transportes. O gás natural já oferece uma alternativa competitiva para redução de emissões e, futuramente, essa infraestrutura também estará preparada para ampliar o uso do biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos agroindustriais”.

Esse posicionamento acompanha uma tendência crescente do mercado brasileiro de aproveitar ativos existentes para acelerar a substituição gradual dos combustíveis fósseis, reduzindo custos de adaptação e aumentando a atratividade econômica dos investimentos.

ESG e rastreabilidade fortalecem competitividade logística

Outro diferencial do projeto está na criação de mecanismos capazes de mensurar e comprovar a redução efetiva das emissões de carbono ao longo das operações de transporte. A rastreabilidade dos indicadores ambientais passa a integrar a governança do programa, permitindo demonstrar a diminuição das emissões por tonelada transportada e atendimento às exigências cada vez mais frequentes de grandes embarcadores que incorporam critérios ESG na contratação de serviços logísticos.

Para o Grupo SADA, essa combinação entre sustentabilidade e eficiência operacional representa um elemento estratégico para ampliar a competitividade do negócio. Ao abordar os resultados esperados da iniciativa, a diretora de Sustentabilidade da companhia, Luisa Medioli, ressalta que o projeto busca mostrar que a redução das emissões pode caminhar ao lado da eficiência econômica: “A descarbonização da nossa frota é uma prioridade estratégica. Estamos demonstrando que é possível unir eficiência operacional, competitividade e responsabilidade ambiental em uma solução escalável para o transporte pesado”.

Projeto pode servir de referência para novas iniciativas no setor

A cooperação entre empresas dos segmentos de energia elétrica, distribuição de gás e logística demonstra uma tendência de integração entre diferentes cadeias produtivas para acelerar a descarbonização do transporte rodoviário brasileiro.

Ao conectar infraestrutura energética, fornecimento de combustível e gestão operacional em um único ecossistema, o consórcio cria um modelo que pode ser replicado em outras regiões do país, especialmente diante do crescimento das políticas corporativas voltadas à redução das emissões de carbono e da expansão futura do mercado de biometano.

Mais do que substituir um combustível por outro, a iniciativa sinaliza uma mudança estrutural na forma como projetos de mobilidade sustentável podem ser concebidos, conciliando eficiência operacional, segurança energética e metas ambientais em uma solução integrada.