Minas entra na corrida global das terras raras com inauguração de planta estratégica da Viridis

Unidade da multinacional australiana em Poços de Caldas posiciona o estado entre os principais polos emergentes de processamento mineral fora da China e reforça agenda da transição energética

A corrida global por minerais críticos para a transição energética ganhou um novo capítulo no Brasil. Com apoio do Governo de Minas Gerais, a mineradora australiana Viridis inaugurou em Poços de Caldas, no Sul do estado, o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), considerado uma das maiores plantas semi-industriais demonstrativas de processamento contínuo de argilas iônicas fora da China.

O empreendimento coloca Minas Gerais em posição estratégica dentro da disputa internacional por cadeias produtivas ligadas a minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia, mobilidade elétrica, geração renovável e fabricação de equipamentos avançados. O movimento ocorre em meio aos esforços de Estados Unidos e Europa para reduzir a dependência global da China no refino e processamento de terras raras.

A unidade integra o Projeto Colossus, principal iniciativa da Viridis no Brasil, que já recebeu investimentos próximos de R$ 200 milhões. A expectativa da companhia é avançar para uma operação industrial em larga escala no estado, em um projeto cujo aporte estimado supera US$ 350 milhões.

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Terras raras ganham protagonismo na transição energética

As terras raras estão no centro da nova geopolítica energética global. Elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas eletrônicos, motores industriais e tecnologias militares.

Hoje, a China domina aproximadamente 90% da capacidade global de processamento e refino desses minerais, fator que vem provocando reações de governos ocidentais preocupados com segurança energética, soberania industrial e estabilidade das cadeias de suprimento. Nesse cenário, o avanço de projetos minerais fora da Ásia passou a ser tratado como prioridade estratégica por diversos países, ampliando o interesse internacional sobre regiões com reservas relevantes e capacidade de industrialização.

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa da Costa, destacou o potencial do estado para se consolidar como referência internacional nesse segmento: “As terras raras têm papel decisivo em setores ligados à tecnologia, inovação e energia limpa. Minas Gerais avança para se consolidar como referência internacional nesse mercado, atraindo investimentos, fortalecendo a indústria e ampliando oportunidades para a população mineira.”

Projeto reforça posição de Minas na nova economia mineral

A instalação da planta em Poços de Caldas reforça uma estratégia mais ampla do Governo de Minas para atrair investimentos ligados à nova economia verde e ao processamento de minerais críticos. A atuação da Invest Minas foi decisiva nas negociações para implantação da unidade. A agência, vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), coordenou a interlocução entre diferentes órgãos estaduais para acelerar licenciamento, estruturação e viabilidade institucional do projeto.

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A avaliação do governo estadual é que Minas Gerais reúne vantagens competitivas relevantes para consolidar uma cadeia industrial voltada às terras raras, incluindo reservas minerais, tradição mineradora, infraestrutura logística e disponibilidade de centros tecnológicos e mão de obra especializada.

Para Ronaldo Barquette, diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, o projeto amplia a inserção internacional do estado em um setor considerado estratégico para as próximas décadas: “O projeto coloca Minas Gerais em um setor estratégico para o futuro da economia global. Estamos falando de uma cadeia ligada à transição energética, tecnologia e inovação, em um momento em que o mundo busca diversificar fornecedores e ampliar a segurança mineral fora da Ásia.”

Planta terá capacidade acima da média internacional

A unidade inaugurada pela Viridis possui capacidade de processamento de 100 quilos por hora de minério argiloso, volume considerado expressivo para instalações semi-industriais dedicadas a argilas iônicas fora da China. O desempenho operacional previsto coloca a planta em um patamar aproximadamente quatro vezes superior ao de projetos-piloto similares atualmente em operação em outros mercados internacionais.

Além da produção de carbonato misto de terras raras (MREC), a estrutura foi desenhada para funcionar como centro tecnológico de pesquisa aplicada e qualificação profissional. O complexo contará com laboratórios especializados, áreas de treinamento técnico e estrutura voltada à formação de mão de obra para futuras operações industriais e de refino.

O plano estratégico da Viridis prevê ainda expansão para atividades de reciclagem de ímãs permanentes e desenvolvimento de uma cadeia integrada de processamento mineral em Minas Gerais.

Expansão industrial mira produção comercial até 2028

O cronograma apresentado pela companhia prevê a conclusão dos estudos definitivos de viabilidade ao longo de 2026. A expectativa é iniciar as obras da planta industrial em 2027, com a primeira produção comercial programada para 2028. Até 2029, a estimativa é que os projetos da Viridis no estado gerem mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos, considerando operações industriais, unidades de refino e projetos associados à reciclagem mineral.

A chegada da multinacional australiana ocorre em um momento de fortalecimento do debate sobre reindustrialização verde no Brasil e sobre o papel estratégico dos minerais críticos para a competitividade da cadeia de energia limpa.

Com a crescente demanda global por veículos elétricos, armazenamento de energia e geração renovável, especialistas do setor avaliam que o domínio sobre cadeias minerais críticas deve se tornar um dos principais fatores de competitividade econômica e geopolítica ao longo das próximas décadas.

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