Equinor e Embrapii investem R$ 26,4 milhões em biometano para acelerar descarbonização da indústria e do setor elétrico

Projeto Res2Bio reúne Unicamp, LNBR e universidades europeias para ampliar a produção de biometano a partir de resíduos da cana e consolidar combustível renovável como alternativa ao gás natural fóssil

A corrida pela descarbonização da matriz energética brasileira ganhou um novo eixo estratégico no segmento de gases renováveis. A petroleira Equinor e a Embrapii anunciaram um aporte conjunto de R$ 26,4 milhões para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à produção em larga escala de biometano a partir de resíduos da cadeia sucroenergética. O projeto, batizado de Res2Bio, será conduzido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas e o Laboratório Nacional de Biorrenováveis, além de centros de pesquisa da Noruega e da Dinamarca.

A iniciativa reforça o avanço do biometano dentro da estratégia de transição energética brasileira e amplia o movimento de grandes companhias globais de óleo e gás em direção a combustíveis renováveis com capacidade de integração imediata à infraestrutura existente de gás natural.

Do montante anunciado, R$ 17,2 milhões serão aportados pela Equinor e R$ 9,2 milhões pela Embrapii. O foco do programa será desenvolver rotas tecnológicas capazes de elevar a eficiência da conversão energética de resíduos agrícolas como bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro, subprodutos abundantes da indústria sucroenergética nacional.

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Biometano ganha protagonismo na substituição do gás fóssil

A expansão do biometano ocorre em meio ao esforço global para reduzir emissões de carbono sem comprometer a segurança energética e a estabilidade operacional dos sistemas industriais e elétricos. Diferentemente de outras soluções renováveis intermitentes, o combustível possui elevada compatibilidade com a infraestrutura já existente de transporte, distribuição e consumo de gás natural.

Essa característica vem posicionando o biometano como um dos principais vetores de substituição gradual do gás fóssil em segmentos intensivos em consumo térmico e em geração termelétrica.

O projeto Res2Bio terá duração de 42 meses e pretende atuar justamente sobre um dos principais gargalos técnicos do setor: o aproveitamento energético eficiente de resíduos lignocelulósicos complexos, como bagaço e palha da cana-de-açúcar, cuja degradação biológica ainda apresenta limitações econômicas e operacionais em larga escala.

A proposta busca desenvolver tecnologias para ampliar a eficiência da digestão anaeróbia e elevar o rendimento da conversão desses resíduos em biometano com padrão compatível para uso industrial e energético.

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Engenharia de processos mira escala industrial e redução de emissões

O escopo técnico do projeto abrange toda a cadeia de processamento do combustível renovável, desde o pré-tratamento da biomassa até as etapas de purificação e adequação do gás às especificações regulatórias exigidas para comercialização e injeção na malha dutoviária.

Além do desenvolvimento dos processos biológicos, o consórcio também conduzirá avaliações ambientais, sociais e econômicas para mensurar os impactos da tecnologia sobre a redução de emissões, mitigação de passivos ambientais e geração de valor agregado para o agronegócio.

Na prática, o avanço dessas rotas tecnológicas poderá ampliar significativamente o aproveitamento energético de resíduos hoje subutilizados pelo setor sucroenergético, fortalecendo a integração entre bioenergia, economia circular e mercado de carbono.

O projeto também se conecta às discussões estratégicas sobre segurança energética e diversificação da matriz de gás natural no Brasil, especialmente diante do crescimento da demanda industrial e da necessidade de combustíveis flexíveis para suporte ao sistema elétrico.

Cooperação internacional amplia escala tecnológica do projeto

O lançamento oficial do Res2Bio ocorreu durante a inauguração do Centro de Pesquisa e Inovação em Biogás e Biosoluções (CP2B), na Unicamp, consolidando um novo polo de pesquisa aplicada em biogás e bioprodutos no país.

A iniciativa terá cooperação científica internacional envolvendo a Universidade de Aalborg, a Universidade Norueguesa de Ciências da Vida e o Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia, instituições reconhecidas pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas à bioeconomia e combustíveis renováveis avançados.

A participação desses centros de excelência europeus permitirá incorporar experiências internacionais relacionadas ao biogás de segunda geração, tecnologia considerada estratégica para países que buscam ampliar a penetração de combustíveis renováveis sem necessidade de substituição massiva da infraestrutura energética já instalada.

Óleo e gás ampliam presença em combustíveis renováveis

O investimento da Equinor no projeto evidencia uma mudança estrutural no posicionamento das grandes empresas globais de óleo e gás. Além da exploração tradicional de hidrocarbonetos, as companhias passaram a disputar espaço em segmentos associados à descarbonização, como hidrogênio, captura de carbono, eólica offshore, armazenamento e gases renováveis.

No caso brasileiro, o potencial de integração entre agronegócio e bioenergia vem sendo tratado por agentes internacionais como uma vantagem competitiva relevante para produção de combustíveis de baixa intensidade de carbono.

A leitura predominante no mercado é que o biometano poderá assumir papel estratégico não apenas na indústria, mas também no equilíbrio da matriz elétrica brasileira, funcionando como combustível firme e despachável para geração termelétrica em um sistema cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

A combinação entre disponibilidade de biomassa, infraestrutura de gás em expansão e metas corporativas de descarbonização tende a acelerar novos investimentos no segmento nos próximos anos.

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