Estrutura de 50 mil m² em PEAD foi instalada com equipamentos energizados para mitigar desligamentos por pipas e balões; solução foi recomendada pelo ONS para o restante do SIN.
A gestão de ativos de transmissão na Região Metropolitana de São Paulo ganhou um reforço robusto em engenharia de confiabilidade. A AXIA Energia concluiu a instalação de uma megaestrutura de proteção aérea sobre os barramentos e barramentos blindados da Subestação Guarulhos (345 kV), um dos principais nós de carga para o escoamento de energia na Grande São Paulo. O projeto demandou um investimento de R$ 11 milhões e cobre uma área de aproximadamente 50 mil metros quadrados, tornando-se o maior sistema de blindagem contra interferências externas do setor elétrico brasileiro.
O principal objetivo da intervenção é erradicar os desligamentos não programados ocasionados por fatores antrópicos comuns em zonas de alta densidade urbana, como a queda de balões e pipas com linhas cortantes ou materiais condutores. Por operar na classe de tensão de 345 kV, qualquer curto-circuito na unidade tem potencial para disparar proteções sistêmicas, provocando impactos em cascata no fornecimento de energia para milhões de consumidores residenciais e industriais.
Engenharia de materiais e ensaios dielétricos em laboratório
A tecnologia adotada consiste em uma malha de Polietileno de Alta Densidade (PEAD). A escolha do polímero considerou propriedades físicas essenciais para o ambiente de alta tensão: leveza, impermeabilidade, alta rigidez dielétrica e resistência à degradação por radiação ultravioleta (UV). Antes da aplicação em campo, as amostras foram submetidas a ciclos rigorosos de ensaios no laboratório de Suporte à Manutenção da transmissora.
Os testes simularam as condições ambientais mais severas do Sudeste brasileiro. Os pesquisadores aplicaram níveis elevados de tensão alternada (AC) e contínua (DC) sob variação controlada de umidade e estresse térmico, validando a baixa condutividade e a capacidade do material de suportar o contato direto com equipamentos energizados sem abrir arco elétrico.
O vice-presidente de Operações e Segurança da AXIA Energia, Antônio Varejão, apontou os ganhos estruturais da implantação da barreira física na planta paulista: “A Subestação de Guarulhos está num local de grande densidade populacional, e a cobertura aérea trará mais segurança e confiabilidade, evitando desligamentos não programados”.
Instalação em linha viva evita indisponibilidade de receita
Um dos principais desafios de engenharia do projeto foi a execução das obras sem penalizar a disponibilidade da subestação, o que geraria perdas financeiras por Parcela Variável (PV). Para contornar a restrição, a empresa utilizou a metodologia de Trabalho no Potencial (linha viva), na qual os técnicos realizam o acoplamento das estruturas equalizados no mesmo potencial elétrico dos condutores de 345 kV.
O cronograma contemplou ainda a execução de obras civis de reforço mecânico nos barramentos existentes, preparando os suportes para resistirem aos esforços de tração e cargas de vento impostos pela nova malha.
O coordenador de Manutenção e líder do projeto na AXIA Energia, Bruno Brandão Moreira, destacou o pioneirismo do método construtivo e o foco na preservação da integridade física das equipes de campo: “O grande diferencial dessa iniciativa foi desenvolver uma solução inovadora, associada à criação de um procedimento de instalação no potencial que garantisse máxima segurança às equipes e confiabilidade operacional ao sistema elétrico durante toda a execução”.
Chancela do ONS sinaliza replicação do modelo no SIN
Pela inovação e pelos resultados apresentados na redução do risco de flashover (arcos elétricos), o projeto foi submetido à avaliação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Após analisar o relatório de conformidade, o órgão técnico emitiu recomendação para que o modelo de cobertura em PEAD seja estudado e replicado por outros agentes de transmissão que operam subestações críticas em áreas urbanas saturadas dentro do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Ao blindar a Subestação Guarulhos, a distribuidora e a transmissora reduzem o indicador de energia não suprida (ENS) da região. O ativo permanece estratégico para a estabilidade da rede, servindo como ponto de conexão para linhas de transmissão de grande porte que garantem a segurança energética e a resiliência do principal polo econômico do país.



