Acelen eleva reuso hídrico para 56% e obtém certificação ‘Aterro Zero’ na Refinaria de Mataripe

Segunda maior refinaria do país consolida balanço ambiental com redução de 23,8% no consumo de água e desvio de 26 mil toneladas de resíduos para rotas sustentáveis e de recuperação energética.

A descarbonização e a mitigação dos impactos ambientais no segmento de downstream tornaram-se pilares críticos para os grandes grupos de óleo e gás que buscam alinhar suas operações de refino aos compromissos globais de sustentabilidade. A Acelen, empresa de energia criada pelo fundo Mubadala Capital, consolidou indicadores operacionais importantes na Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia. As melhorias processuais implementadas pela companhia resultaram em uma contração de 23,8% na captação de água doce e no desvio de mais de 93% de seus resíduos industriais dos aterros convencionais.

Os resultados refletem uma estratégia de modernização de ativos iniciada após a privatização da planta, com foco em eficiência hídrica e economia circular. Por se tratar de uma das maiores instalações industriais do Nordeste, a otimização dos recursos naturais e a redução da pegada de carbono da refinaria repercutem diretamente na segurança hídrica regional e na governança ESG da carteira de ativos de energia do grupo controlador.

Eficiência hídrica e ampliação do reuso no refino de combustíveis

O refino de petróleo é uma atividade intensiva em recursos hídricos, demandando grandes volumes para sistemas de resfriamento, geração de vapor e processos de craqueamento. A otimização desse vetor na Refinaria de Mataripe reduziu o consumo específico da planta de 1.684 m³/h para 1.284 m³/h. Essa economia volumétrica líquida de 400 m³/h corresponde à demanda de abastecimento de um município com cerca de 80 mil habitantes, patamar superior à população de importantes polos regionais do interior baiano, como a cidade de Irecê.

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Em paralelo à redução da captação de água nova, a engenharia operacional da Acelen elevou o índice de reuso hídrico interno de 37% para 56% do volume total circulado. A marca representa o maior índice histórico de recirculação já registrado na unidade de refino desde a sua inauguração, minimizando a dependência de mananciais superficiais e reduzindo o descarte de efluentes industriais tratados no meio ambiente.

Economia circular e rotas de recuperação energética de resíduos

Outro gargalo estrutural do setor de combustíveis fósseis é a destinação de borras e rejeitos de alta complexidade regulatória. Na gestão de resíduos sólidos, a refinaria atingiu o marco de 93,12% de materiais desviados de aterros industriais de Classe I e II. O desempenho auditado conferiu à unidade a Categoria Prata no Ranking da Certificação Aterro Zero – Zero Resíduos, classificação concedida a operações de alta performance que registram índices de desvio entre 91,1% e 95% do volume bruto gerado.

Do total de 27.940 toneladas de resíduos produzidos no complexo industrial, 26.018 toneladas deixaram de ser simplesmente estocadas ou enterradas e ganharam destinação em rotas sustentáveis. O reaproveitamento da matéria-prima envolveu processos de reciclagem mecânica, regeneração e, fundamentalmente, coprocessamento e recuperação energética. Essa última técnica integra os resíduos ao processo de queima em fornos industriais e caldeiras, substituindo combustíveis tradicionais e convertendo passivos ambientais em energia térmica e elétrica de processo.

Os investimentos em ecoeficiência operacional são acompanhados por programas de conservação de biodiversidade na Baía de Todos-os-Santos. A empresa realizou mutirões de despoluição que removeram aproximadamente 8 toneladas de resíduos em praias e ecossistemas de manguezais costeiros, além de conduzir o replantio de 8.400 mudas de espécies nativas de mangue e o desenvolvimento de pesquisas voltadas para a regeneração de colônias de corais locais.

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O vice-presidente de Comunicação, ESG, Relações Institucionais e Desenvolvimento Territorial da Acelen, Marcelo Lyra, defendeu a necessidade de alinhar as metas de descarbonização corporativa à infraestrutura socioeconômica regional: “A transição energética precisa ser justa e conectada com a realidade dos territórios. Nosso compromisso é avançar nessa agenda com responsabilidade, reduzindo impactos e promovendo soluções que gerem valor ambiental e social de forma concreta”, afirma Marcelo Lyra.

Os aportes em tecnologias limpas de processo e em modelos de economia circular sinalizam o esforço dos refinadores nacionais para mitigar penalidades regulatórias e precificar o menor risco climático em suas operações de refino. A tendência de desviar resíduos e otimizar ativos de utilidades, como a água, consolida-se como premissa de sobrevivência financeira para o setor de combustíveis tradicionais à medida que a transição energética reconfigura a matriz econômica do país.

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