Petrobras e fundo Shine I selam controle compartilhado da Braskem em novo acordo de acionistas

Estatal abre mão de direitos de preferência e tag along junto à Novonor para instituir modelo de gestão paritária; mudança prevê novo estatuto social e consenso obrigatório em deliberações do Conselho.

A Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) oficializou, nesta quinta-feira (23), uma mudança estrutural na governança da Braskem S.A. através da assinatura de um novo acordo de acionistas com o Shine I Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP). O movimento marca o fim de uma era de incertezas societárias e estabelece um modelo de controle compartilhado focado no aperfeiçoamento institucional da petroquímica.

Como etapa preliminar e necessária para a nova configuração, a Petrobras notificou formalmente a Novonor S.A., atualmente em recuperação judicial, sobre sua decisão de não exercer os direitos de preferência e de tag along previstos no antigo acordo de acionistas. A decisão abre caminho para a entrada definitiva do fundo Shine I na estrutura de comando da companhia.

Gestão paritária e obrigação de consenso

O novo arranjo jurídico-societário introduz mecanismos de proteção e equilíbrio de poder inéditos na trajetória recente da Braskem. Entre as principais cláusulas, destaca-se a obrigação de obtenção de consenso entre a Petrobras e o FIP Shine I em todas as deliberações, tanto no Conselho de Administração quanto na Assembleia Geral de acionistas.

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Além da paridade decisória, o acordo assegura às partes o direito à indicação de um número igual de membros para compor o Conselho de Administração e a Diretoria Estatutária. Esse modelo visa garantir que as visões estratégica e operacional de ambos os controladores estejam devidamente representadas nos órgãos de cúpula da petroquímica.

Trâmites e novo Estatuto Social

A validade do novo acordo está condicionada à conclusão da transferência das ações para o fundo Shine I. Uma vez concluída essa etapa, as partes já anunciaram que apresentarão uma proposta para a reforma do Estatuto Social da Braskem. A intenção é adequar a base normativa da companhia aos princípios de governança pactuados no novo acordo, seguindo todos os procedimentos regulatórios internos da Braskem.

Mesmo com a nova estrutura de controle, a Petrobras informou que mantém inalterada sua posição acionária. A estatal preserva a participação de 36,1% no capital total da Braskem, o que representa 47% do capital votante da empresa.

Sinalização para o mercado e setor petroquímico

O encerramento do vínculo de preferência com a Novonor e a aliança com um fundo multiestratégia sugerem uma tentativa de blindar a Braskem de turbulências externas e focar na eficiência operacional. Para o setor de energia e química, a estabilização do comando da Braskem é fundamental para a continuidade de investimentos em transição energética e inovação em materiais, temas em que a petroquímica desempenha papel de liderança regional.

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A Petrobras reafirmou que manterá o mercado informado sobre quaisquer fatos julgados relevantes que possam surgir durante o processo de implementação desta nova governança.

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