Projeção de crescimento da demanda recua para 0,7% em meio a afluências críticas no Sul e estabilidade nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou, nesta sexta-feira, as projeções para o comportamento do Sistema Interligado Nacional (SIN) no fechamento de abril. A nova revisão do Programa Mensal de Operação (PMO) indica uma desaceleração no crescimento da carga, agora estimada em 82.239 MW médios. O avanço de 0,7% em relação ao mesmo período de 2025 é significativamente inferior à alta de 1,9% prevista no boletim anterior, refletindo uma moderação no consumo de energia no país.
Além do ajuste na demanda, o Operador reportou uma leve retração na expectativa de armazenamento para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal “caixa d’água” do país. A projeção para o final de abril foi ajustada de 68,7% para 68,2%, sinalizando uma gestão cautelosa dos recursos diante do encerramento do período úmido.
Hidrologia: Norte e Sul enfrentam queda nas afluências
O cenário hidrológico para abril apresenta desafios localizados, especialmente na Região Sul. O ONS reduziu a previsão de Energia Natural Afluente (ENA) para o subsistema Sul de 46% para 45% da Média Longo Termo (MLT), mantendo a região em um patamar crítico de produtividade hidrelétrica.
No Norte, a revisão foi ainda mais acentuada: a expectativa de chuvas recuou de 83% para 77% da média histórica. Já os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste mantêm certa estabilidade nas projeções, com afluências estimadas em 83% e 85% da MLT, respectivamente. Esses números indicam que, embora o sistema opere com níveis de reservatórios confortáveis, a entrada de água nas bacias está ocorrendo abaixo da média histórica para o mês.
Estabilidade e Gestão de Reservatórios
Apesar das revisões nas chuvas, os níveis de armazenamento previstos para o final do mês seguem em patamares que garantem a segurança do suprimento. O Sudeste/Centro-Oeste deve encerrar o período com 68,2%, enquanto o Nordeste projeta 78% de sua capacidade. O subsistema Norte, por sua vez, deve atingir 95,8%, operando próximo à sua plenitude, o que compensa parcialmente a escassez observada no Sul, onde os reservatórios devem fechar abril com 41,2% de armazenamento.
Essa dinâmica reforça a importância do intercâmbio de energia entre os subsistemas, permitindo que o excedente de geração renovável do Norte e Nordeste supra as necessidades de regiões que enfrentam momentos de hidrologia desfavorável.



