Com EBITDA superior a R$ 100 milhões, Alesta e CPFL Total consolidam modelo que integra energia, crédito e serviços, ampliando eficiência e previsibilidade na cadeia
A diversificação de receitas no setor elétrico brasileiro começa a ganhar novos contornos com o avanço de serviços financeiros integrados às operações das distribuidoras. No centro desse movimento está a CPFL Energia, que vem consolidando um ecossistema baseado na oferta de crédito, antecipação de recebíveis e serviços vinculados à fatura de energia.
Em 2025, as subsidiárias Alesta e CPFL Total registraram EBITDA combinado superior a R$ 100 milhões, refletindo a maturidade operacional das iniciativas e a crescente adesão de clientes, fornecedores e parceiros ao modelo.
O desempenho representa um salto relevante frente a 2021, quando o resultado somado era de R$ 36 milhões, um crescimento acumulado de 180% em cinco anos.
Fatura de energia como plataforma de serviços
A estratégia da CPFL Energia se apoia na transformação da fatura de energia em um canal de distribuição de serviços financeiros e não financeiros. A CPFL Total, criada em 2012, atua como hub que conecta parceiros e consumidores, viabilizando a cobrança de serviços diretamente na conta de luz.
Esse modelo tem permitido ampliar o acesso a soluções como seguros, assistências, microcrédito e cartões de benefícios, utilizando uma infraestrutura já consolidada e de alta capilaridade.
Nos últimos cinco anos, foram registradas mais de 73 milhões de inserções de serviços na fatura, enquanto o número de parceiros saltou de 65 para 200, um crescimento de 207%, evidenciando a escalabilidade do modelo.
Crédito e liquidez fortalecem cadeia de fornecedores
No braço financeiro, a Alesta, lançada em 2021, tem desempenhado papel estratégico ao oferecer financiamento de contas de energia e antecipação de recebíveis para fornecedores do grupo.
A operação de antecipação apresentou crescimento expressivo, passando de R$ 933 milhões em 2022 para R$ 1,5 bilhão em 2025. No mesmo período, o número de fornecedores atendidos aumentou de 478 para 609.
Já no financiamento de faturas de energia, a companhia acumulou R$ 353,7 milhões entre 2021 e 2025, distribuídos em cerca de 347 mil contratos. A iniciativa contribui diretamente para a redução da inadimplência e para maior previsibilidade de caixa das distribuidoras, um dos principais desafios operacionais do segmento.
Plataforma escalável e foco na experiência do cliente
O diretor executivo da Alesta e da CPFL Total, Fernando Antonaglia, destaca a evolução estrutural do modelo e seu alinhamento estratégico com o grupo: “Os números mostram a evolução de uma plataforma capaz de ampliar o acesso a soluções financeiras de forma simples e escalável. Em cinco anos, aumentamos o volume de operações, o número de parceiros atendidos e a previsibilidade para toda a cadeia. E tudo isso conectado com pilares estratégicos do Grupo CPFL como foco no cliente, inovação, digitalização e um cuidado perene com o crescimento sustentável”.
O executivo também reforça o potencial de expansão da iniciativa no contexto de transformação do setor energético: “Esse avanço acompanha uma tendência de integração entre serviços essenciais e produtos financeiros. A evolução da receita bruta das duas empresas, de R$ 48,9 milhões em 2021 para R$ 152,9 milhões em 2025, e da base de parceiros demonstra o potencial do modelo para ampliar eficiência, fortalecer a cadeia e sustentar o crescimento nos próximos anos”.
Tendência estrutural no setor elétrico
A consolidação de serviços financeiros no setor elétrico reflete uma tendência global de digitalização e integração de plataformas, em que utilities passam a atuar como hubs de soluções para além do fornecimento de energia.
No Brasil, esse movimento ganha relevância diante da necessidade de diversificação de receitas em um ambiente regulado, pressionado por revisões tarifárias, combate à inadimplência e busca por eficiência operacional.
Além disso, o uso da fatura de energia como instrumento de cobrança amplia o acesso a serviços financeiros para parcelas da população com menor bancarização, criando novas oportunidades de inclusão financeira.
Eficiência operacional e novas receitas no radar
Ao integrar crédito, serviços e energia em uma mesma plataforma, a CPFL Energia fortalece sua posição competitiva e cria uma nova avenida de crescimento baseada em receitas não tarifárias.
O modelo também contribui para maior resiliência financeira da cadeia, ao melhorar o fluxo de caixa de fornecedores e reduzir riscos associados à inadimplência dos consumidores.
Com resultados consistentes e expansão acelerada, a tendência é que iniciativas semelhantes ganhem espaço no setor elétrico brasileiro, ampliando o papel das distribuidoras como plataformas de serviços integrados.



