Com investimento focado no Rio Tietê, projeto de 18 MW utiliza infraestrutura centenária para ampliar oferta de energia limpa no Sistema Interligado Nacional (SIN)
A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) deu um passo decisivo para a viabilização da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Edgard de Souza, em Santana de Parnaíba (SP). A estatal paulista formalizou a assinatura do contrato para o fornecimento de equipamentos de geração e a execução das obras civis do empreendimento. O projeto, que aguarda a Licença Ambiental de Instalação (LI), será erguido a partir da estrutura da barragem homônima, ativo histórico operado pela companhia no Rio Tietê.
A execução do projeto está a cargo de um consórcio formado pela Hidroenergia, responsável pelo núcleo tecnológico e equipamentos, e pela SEEL Engenharia, que assume as frentes de engenharia civil. O empreendimento é fruto do sucesso da Emae no Leilão de Energia Nova A-5, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em 2025, e marca o reposicionamento da empresa na gestão de ativos de geração.
Capacidade técnica e impacto no sistema elétrico
Com uma capacidade instalada de 18 MW e garantia física de 13,44 MW médios, a PCH Edgard de Souza terá potência suficiente para atender a demanda de aproximadamente 65 mil residências. A planta será composta por três unidades geradoras, equipadas com turbinas Kaplan verticais e geradores síncronos, além de uma subestação elevadora dedicada e sistemas de automação de última geração.
O Diretor-presidente da Emae, Rafael Strauch, destaca que o projeto confere uma nova utilidade a um dos ativos mais tradicionais da empresa: “Aproveitar o potencial da barragem Edgard de Souza é atribuir novo significado a um ativo emblemático, conectando tradição e inovação em favor do desenvolvimento sustentável. A implantação da PCH Edgard de Souza reflete uma atuação eficiente e responsável ao transformar uma infraestrutura existente em uma solução concreta para o futuro energético do país. O projeto reforça a importância da Emae na geração de energia limpa, contribuindo para o desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo.”
Fortalecimento da indústria nacional de hidrogeração
A parceria entre a estatal e o consórcio sublinha a maturidade da cadeia produtiva brasileira no setor de PCHs. Para a Hidroenergia, o contrato representa a continuidade de uma relação técnica já estabelecida com a Emae, a exemplo do processo de retrofit em curso na Usina Rasgão.
O Diretor Executivo da Hidroenergia, Rafael Kieling, pontua a relevância estratégica da participação no projeto: “Esse novo contrato com a Emae reforça o posicionamento da Hidroenergia como uma parceira estratégica na retomada dos investimentos em geração hidrelétrica no Brasil. Participar de um projeto vencedor em um leilão considerado histórico e associado a um ativo valioso do setor elétrico nacional confirma a confiança do mercado na nossa engenharia, na nossa capacidade de execução e no papel da indústria brasileira na transição energética.”
Pelo lado da infraestrutura civil, o Diretor Executivo da SEEL Engenharia, Eduardo Lapa, enfatiza a complexidade técnica e o compromisso com a estabilidade do sistema: “Desde o início das interações, a SEEL colocou os melhores esforços de engenharia e projetos, visando contribuir com a Emae para a realização de um empreendimento tão desafiador como o de Edgar de Souza. Essa operação coroa a nossa estratégia de sermos uma referência técnica neste segmento e contribuir fortemente com empresas que estão gerando energia limpa, algo importantíssimo para a firmeza do sistema elétrico brasileiro.”
Sustentabilidade e reaproveitamento de ativos históricos
A barragem Edgard de Souza é um marco da engenharia nacional, tendo sido a primeira grande estrutura do gênero no Brasil, inaugurada pela antiga Light em 1901. O novo projeto de geração de energia destaca-se pelo baixo impacto ambiental, uma vez que utiliza o barramento já existente, evitando novos desvios no Rio Tietê ou grandes intervenções civis.
Ao integrar inovação tecnológica a uma estrutura secular, a Emae e o consórcio contratado reforçam o papel das PCHs como fonte de energia firme, limpa e próxima aos grandes centros de carga, otimizando o uso dos recursos naturais e garantindo a resiliência energética da Região Metropolitana de São Paulo.



