Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026: O desafio de escalar a infraestrutura e atrair capital para a eletromobilidade

Com a presença de gigantes como Huawei e BorgWarner, evento em São Paulo debate a transição para frotas de baixo carbono e o papel do Brasil na nova cadeia industrial global.

A corrida global pela descarbonização dos transportes está redesenhando as cadeias produtivas e impondo aos países emergentes a necessidade de acelerar definições industriais e regulatórias. Nesse cenário de transformação, o Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026 será realizado nos dias 15 e 16 de abril, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Em sua quarta edição, o fórum deve reunir mais de 1.000 participantes de 30 países, consolidando o Brasil como um hub estratégico para investimentos em mobilidade sustentável na América Latina.

O encontro ocorre em um momento de inflexão para o setor elétrico e automotivo. Enquanto a demanda pela eletrificação de frotas e soluções logísticas avança, o mercado enfrenta o gargalo da infraestrutura de recarga e a necessidade de estruturar modelos de financiamento robustos. Para 2026, a organização projeta a participação de 90 especialistas, ampliando o debate sobre como o país pode se posicionar nesta nova ordem econômica.

Soberania Industrial e Coordenação Regulatória

Um dos pontos centrais do evento será a discussão sobre o adensamento tecnológico local. A transição para o veículo elétrico exige uma visão que vá além do consumo, focando na produção e no desenvolvimento de componentes em solo nacional para garantir a competitividade regional.

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Ao analisar o panorama atual, a Country Manager do Brasil Mobility, Daniela Garcia, ressalta as implicações estratégicas para o desenvolvimento do país: “O que está em jogo não é apenas a adoção de veículos elétricos, mas a capacidade do Brasil de capturar valor em uma nova cadeia industrial. Sem coordenação regulatória e infraestrutura, o país corre o risco de ser apenas um consumidor, em vez de um protagonista desta transformação na América Latina.”

O Ecossistema de Tecnologia e Componentes

A relevância da agenda de 2026 é reforçada pela participação de gigantes globais. Empresas como a BorgWarner, líder em sistemas de baterias e soluções para mobilidade sustentável, e a Huawei, com sua expertise em infraestrutura digital e energia, estão entre as confirmadas. A presença dessas companhias, ao lado de marcas como BYD, GAC e a consultoria KPMG, reflete a convergência entre tecnologia, indústria e capital necessária para sustentar a nova matriz de transportes.

A nacionalização de componentes críticos, como células de bateria e sistemas de gerenciamento de energia, tornou-se um tema de segurança econômica. O evento servirá de palco para alinhar essas demandas industriais com as políticas públicas de incentivo à descarbonização.

Financiamento e o “Eixo Multienergético”

Para destravar os investimentos de longo prazo, o fórum dedicará painéis exclusivos a mecanismos de crédito verde e incentivos fiscais. No segmento de transporte pesado, o debate evolui para o conceito de “Eixo Multienergético”, que avalia a coexistência técnica e econômica entre a eletrificação pura, os biocombustíveis e o hidrogênio verde (H2V).

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Essa abordagem multimodal é vista como o caminho mais viável para as complexas necessidades logísticas da América Latina, permitindo que o Brasil utilize sua matriz elétrica limpa como vantagem comparativa na exportação de soluções de mobilidade.

Com uma rede que conecta mais de 100 mil profissionais na região, o Latam Mobility reafirma seu papel como a principal plataforma de articulação B2B para acelerar a transição energética e a mobilidade de baixo carbono no continente.

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