Brasil pode destravar ciclo de R$ 1 trilhão em infraestrutura e energia até 2027, aponta Itaú BBA

Aportes liderados pelo setor privado, avanço regulatório e diversificação do funding sustentam perspectiva de expansão, apesar de juros elevados e desafios estruturais

O Brasil caminha para consolidar um novo ciclo de expansão em infraestrutura e energia, com potencial de superar a marca de R$ 1 trilhão em investimentos no intervalo de quatro anos. A projeção, elaborada pelo Itaú BBA, considera os aportes realizados desde 2023 e aponta para uma trajetória de crescimento sustentada por capital privado, amadurecimento regulatório e maior sofisticação dos mecanismos de financiamento.

A estimativa reforça o papel central da infraestrutura como vetor de competitividade econômica e destaca o protagonismo do setor elétrico e de segmentos correlatos, em um momento de reconfiguração da matriz de investimentos no país.

Ritmo elevado, mas ainda aquém do necessário

De acordo com o levantamento, os investimentos em infraestrutura e energia somaram aproximadamente R$ 280 bilhões em 2025, com expectativa de manutenção desse patamar em 2026 e viés de crescimento de até 8%. Apesar do volume expressivo, o nível de investimento ainda representa cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo da referência de aproximadamente 4% observada em economias emergentes, conforme parâmetros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

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A diferença evidencia um gap estrutural relevante, que sustenta o potencial de expansão do setor nos próximos anos, especialmente diante da necessidade de modernização logística, ampliação da capacidade energética e universalização de serviços essenciais como saneamento.

Ambiente regulatório e matriz energética impulsionam capital

A combinação de fatores estruturais favoráveis tem sido determinante para atrair investimentos e sustentar o pipeline de projetos. Entre eles, destacam-se o avanço regulatório, a previsibilidade dos contratos de concessão e a competitividade da matriz energética brasileira.

“O Brasil reúne condições favoráveis para ampliar os investimentos, considerando o déficit histórico em infraestrutura, um pipeline de concessões muito atrativo, uma matriz energética limpa e competitiva, a evolução regulatória recente e um mercado de capitais robusto e com fontes de funding diversificadas. A infraestrutura é um vetor central para o crescimento econômico e competitividade do país”, avalia José Rudge, co-head da diretoria de Infraestrutura & Energia do Itaú BBA.

A leitura do banco reforça a convergência entre políticas públicas e interesse privado, criando um ambiente propício para a execução de projetos de grande escala.

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Setor privado lidera e concessões ganham tração

O protagonismo do capital privado segue como uma das principais características desse ciclo. Em 2025, cerca de 85% dos investimentos foram liderados por empresas privadas, consolidando uma tendência observada desde a ampliação dos programas de concessões e parcerias público-privadas.

Segmentos como rodovias e saneamento concentraram parcela relevante dos aportes, refletindo o avanço institucional e a maior previsibilidade regulatória. No caso do saneamento, o novo marco legal tem sido um dos principais catalisadores de projetos estruturantes, ampliando o interesse de investidores e operadores.

No setor rodoviário, o pipeline permanece robusto, sustentado por leilões recorrentes e contratos de longo prazo, que oferecem maior segurança jurídica e estabilidade de receita.

Mercado de capitais amplia fontes de financiamento

Outro vetor relevante é a transformação no perfil de financiamento dos projetos. O mercado de capitais tem ganhado protagonismo, com destaque para as debêntures incentivadas e estruturas híbridas que combinam recursos públicos e privados.

Nesse contexto, o Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais aponta que o Itaú BBA liderou a originação de debêntures incentivadas em 2025, com participação de 26% no mercado, evidenciando o avanço desse instrumento como principal canal de funding para projetos de infraestrutura.

A diversificação das fontes de financiamento reduz a dependência de crédito subsidiado e amplia a capacidade de alavancagem dos investimentos, especialmente em um cenário de restrição fiscal.

Próxima onda de investimentos e capital estrangeiro

A perspectiva para os próximos anos indica a necessidade de uma nova rodada de capital para sustentar o crescimento e reduzir o déficit acumulado em infraestrutura. Mesmo diante de um ambiente de juros elevados, o fluxo de investimentos tem se mantido resiliente.

“Uma próxima rodada de capital tende a ser relevante para viabilizar novos projetos e endereçar as lacunas de investimentos nos diferentes setores, em um contexto ainda marcado por um gap relevante de infraestrutura no país. Mesmo em um ambiente de juros elevados, vemos a continuidade do fluxo de investimentos, com espaço para aceleração à medida que o ambiente macroeconômico evolua. Notamos também o aumento do interesse de investidores estrangeiros, associado ao horizonte de longo prazo dos projetos e às características estruturais do país, como o dinamismo do mercado consumidor e a abundância de recursos naturais”, destaca Eduardo Corsetti, co-head da diretoria de Infraestrutura & Energia do Itaú BBA.

A entrada de capital estrangeiro tende a reforçar a competitividade nos leilões e ampliar a capacidade de financiamento de projetos estruturantes, especialmente em energia e logística.

Infraestrutura como eixo da transição energética e crescimento

A análise do Itaú BBA posiciona a infraestrutura e, em especial, o setor de energia, como eixo estruturante do crescimento econômico brasileiro. A expansão da matriz elétrica, a modernização das redes e o avanço de fontes renováveis são componentes centrais dessa agenda.

Ao mesmo tempo, o país enfrenta o desafio de transformar potencial em execução, garantindo segurança jurídica, estabilidade regulatória e eficiência na implementação dos projetos. O sucesso desse ciclo de investimentos será determinante para elevar a produtividade, reduzir custos logísticos e sustentar a transição energética nos próximos anos.

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