Com alta de 26% nos furtos e 6 mil interrupções em 2025, distribuidora investe R$ 22 milhões em segurança e aposta no endurecimento da Lei 15.181.
O avanço da criminalidade sobre a infraestrutura crítica do setor elétrico brasileiro atingiu um novo patamar de complexidade. O Grupo CPFL Energia encerrou 2025 com um balanço alarmante: 354 equipamentos de grande porte subtraídos, uma alta de 26% em comparação ao ano anterior. Mais do que pequenos furtos oportunistas, as ocorrências nas áreas da CPFL Paulista, Piratininga e Santa Cruz revelam uma operação logística profissionalizada que resultou em mais de 6 mil interrupções de energia para os consumidores no último ano.
Diante do cenário, a companhia intensificou sua estratégia de defesa, integrando inteligência de dados e cooperação com forças de segurança para frear o que já é considerado uma ameaça sistêmica à continuidade do fornecimento.
Ameaça à estabilidade do sistema e segurança pública
A mudança no perfil das ocorrências preocupa a cúpula da distribuidora. O alvo dos criminosos deslocou-se de cabos isolados para componentes robustos da rede, o que amplia exponencialmente o tempo de recomposição do sistema e os riscos de acidentes fatais.
“Temos percebido a sofisticação e a organização desses crimes, algo preocupante não apenas para a CPFL, mas para todo o setor elétrico. Deixamos de ter apenas pequenos furtos de cabos, com consequências localizadas. Enfrentamos uma ameaça mais perigosa, que mira furtos de grandes volumes de outros equipamentos da rede, com potencial de causar mais danos ao sistema elétrico e, consequentemente, à sociedade atendida”, alerta Luís Henrique Ferreira Pinto, vice-presidente de Operações Reguladas da CPFL Energia.
Tecnologia e blindagem de ativos
Para contra-atacar, a CPFL destinou R$ 22 milhões em 2025 para segurança patrimonial e modernização da fiscalização. O montante financia a Central de Monitoramento de Ativos, que hoje supervisiona 24 horas por dia mais de 2,3 mil dispositivos em subestações e pontos estratégicos do estado de São Paulo.
Além do monitoramento convencional, a empresa aposta na ciência de materiais para inibir a receptação. Entre as frentes de estudo está a aplicação de nanopartículas em componentes de cobre. Essa tecnologia resiste ao corte e à queima, métodos comuns para ocultar a origem do metal, e permite a identificação da propriedade via laser, facilitando o trabalho pericial.
“Nossa motivação supera o aspecto material. Os furtos prejudicam a população, pois afetam a qualidade do fornecimento e comprometem serviços essenciais. O prejuízo é coletivo e o enfrentamento faz parte do nosso compromisso com a sociedade”, reforça Rafael Lazzaretti, diretor-presidente da CPFL Paulista.
Cerco jurídico e endurecimento de penas
O combate ao crime ganhou um reforço institucional com a sanção da Lei 15.181 em 2025. A nova legislação reconhece os ativos elétricos como parte essencial do serviço público, elevando o furto e a receptação à categoria de crimes qualificados. Com penas que podem chegar a 16 anos de reclusão para receptação qualificada, o arcabouço jurídico busca asfixiar economicamente o mercado ilegal de cobre e equipamentos.
Paralelamente, o trabalho de campo em 2025 resultou em 37 operações conjuntas com as polícias Civil, Militar e guardas municipais. As incursões em ferros-velhos e sucateiros permitiram a recuperação de 9 toneladas de materiais de procedência ilícita, enviando um recado claro à cadeia de receptação sobre o rigor da fiscalização no setor de energia.



