Solar flutuante: ABCE e Cetesb articulam padronização para reduzir insegurança jurídica

Workshop em São Paulo debaterá nota técnica que propõe critérios claros para o licenciamento ambiental em reservatórios hídricos

O avanço da geração fotovoltaica no Brasil encontra uma nova fronteira de expansão: os reservatórios de hidrelétricas. No entanto, a ausência de uma regulamentação específica consolidada para usinas solares flutuantes ainda atua como um gargalo para investidores. Para endereçar esse desafio, a Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), em parceria com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), realiza no próximo dia 31 de março um workshop estratégico sobre o licenciamento ambiental dessa modalidade.

O encontro, que ocorre na sede da companhia ambiental paulista, pretende alinhar critérios entre o setor produtivo, órgãos reguladores e especialistas técnicos. O objetivo central é fomentar o debate sobre os desafios técnicos e as boas práticas que possam garantir maior previsibilidade regulatória para a implantação desses empreendimentos em áreas já antropizadas.

Nota Técnica aponta necessidade de padronização

Um dos pilares do evento será a apresentação da Nota Técnica da ABCE, documento que diagnostica a carência de diretrizes claras para o licenciamento de sistemas flutuantes. De acordo com o texto, essa lacuna normativa representa um entrave significativo para o desenvolvimento da modalidade, apesar de seu elevado potencial de sinergia com o Sistema Interligado Nacional (SIN).

- Advertisement -

As usinas flutuantes oferecem vantagens competitivas, como a redução da evaporação nos reservatórios e o aproveitamento da infraestrutura de conexão já existente nas hidrelétricas. No entanto, o equilíbrio ambiental exige cautela.

“As usinas solares flutuantes têm vantagens relevantes, como o aproveitamento de áreas já antropizadas, como reservatórios de hidrelétricas, redução da necessidade de desmatamento e ganhos operacionais ao sistema elétrico. Por outro lado, a implantação desses projetos exige avaliação criteriosa de impactos ambientais, incluindo efeitos sobre a qualidade da água, ecossistemas aquáticos e usos múltiplos dos reservatórios”, destacou Alexei Vivan, diretor-presidente da ABCE.

Diálogo institucional e segurança jurídica

A programação do workshop contempla a abertura institucional com representantes da Cetesb, do Ibama e da própria ABCE. O envolvimento de órgãos de esferas estadual e federal é visto pelo setor como um passo fundamental para a construção de um rito de licenciamento que minimize os riscos de judicialização e atrasos nos cronogramas de obras.

Além dos painéis técnicos com órgãos ambientais, empresas do setor compartilharão experiências práticas sobre os desafios enfrentados no licenciamento de projetos piloto e de larga escala. O encerramento contará com um debate aberto para consolidar propostas que possam subsidiar futuras resoluções normativas.

Serviço

  • Workshop Licenciamento Ambiental de Usinas Solares Flutuantes
  • Data e horário: 31 de março de 2026 – 9h às 13h
  • Local:  Sede da CETESB em São Paulo – Av. Professor Frederico Hermann Júnior, 345, Alto de Pinheiros.
  • Inscrições: https://lnkd.in/dqSGzddT

Destaques da Semana

CPFL sinaliza interesse na Enel SP e defende redes mais resilientes no setor elétrico

CEO Gustavo Estrella afirma que companhia está preparada para...

Electra vai à ANEEL contra cassação e alerta para contágio tarifário no ACR

Comercializadora em recuperação judicial argumenta que perda de outorga...

CVM aprova edital e leilão da OPA da Ecopetrol por 25% da Brava Energia é marcado para 5 de agosto

Após aval do Colegiado do regulador, superação de pendências...

Artigos

Últimas Notícias