Transição Energética: PSR aponta riscos climáticos e indefinição regulatória como gargalos para o setor

16ª edição do Workshop PSR/Canal Energia debate a complexidade de equilibrar novas tecnologias, custos de descarbonização e o avanço da litigância climática.

O setor elétrico global atravessa um período de transformação sem precedentes, onde a urgência da descarbonização colide com a realidade dos custos operacionais e a crescente severidade dos eventos climáticos. Durante a abertura da 16ª edição do Workshop PSR/Canal Energia, realizada no Rio de Janeiro, especialistas discutiram como a combinação de tensões geopolíticas e a transformação digital tem elevado o nível de complexidade para o planejamento e a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Luiz Barroso, CEO da PSR, conduziu o debate inicial enfatizando que o setor enfrenta o desafio de gerir múltiplas agendas simultâneas. O executivo nota que a sobreposição de transformações impõe novos dilemas aos tomadores de decisão: “Estamos lidando com múltiplas transformações ao mesmo tempo, o que traz novos dilemas para o planejamento e a operação do sistema elétrico.”

O hiato entre a ambição e a viabilidade da descarbonização

Embora o hidrogênio verde e o mercado de carbono dominem as discussões globais, a implementação prática desses projetos ainda esbarra em barreiras econômicas significativas. No cenário internacional, mercados consolidados como Estados Unidos e Europa já registram cancelamentos de projetos de hidrogênio devido à falta de escala e custos elevados.

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Luana Gaspar, head em Descarbonização na PSR, observa que o Brasil vive um estágio de estruturação governamental após a aprovação de sua lei de mercado de carbono, mas alerta para a baixa previsibilidade imediata: “Os mercados voluntários ainda têm baixa capacidade de orientar decisões. O mercado regulado deve trazer mais previsibilidade, mas isso leva tempo.”

Eventos extremos: O novo normal do planejamento energético

A variabilidade climática deixou de ser uma estatística periférica para se tornar o núcleo da gestão de risco. A convergência entre os modelos analíticos aponta que, independentemente das oscilações das médias históricas, a volatilidade e a intensidade dos extremos são as variáveis que mais pressionarão o sistema nos próximos anos.

Julio Alberto Dias, head em Ferramentas Analíticas na PSR, explica que o planejamento precisa de uma mudança de paradigma para lidar com essa amplificação de riscos: “Os extremos vão piorar. E são eles que pressionam o sistema.”

Nesse cenário de incertezas, a resiliência do setor dependerá menos de uma solução única e mais da diversificação tecnológica. Edmundo Grune, diretor técnico na PSR, reforça que o futuro do suprimento reside na complementaridade: “Não existe bala de prata. O que vemos é um mix de fontes e tecnologias, cada uma contribuindo com o que tem de melhor.”

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Gargalos regulatórios e o desafio do “Curtailment”

A regulação brasileira enfrenta o desafio de arbitrar custos em um sistema que se torna cada vez mais dinâmico. A exposição de lacunas regulatórias diante de desastres climáticos e o avanço da litigância são preocupações crescentes para os agentes, exigindo regras que distribuam responsabilidades de forma clara.

Gisella Siciliano, team leader em Regulação e Litígio na PSR, destaca que a adaptação normativa é urgente frente ao novo cenário ambiental, enquanto Paula Valenzuela, diretora técnica na consultoria, projeta um horizonte de transformações contínuas para as próximas décadas: “A única certeza é que o sistema vai mudar ao longo dos próximos 30 anos. A regulação precisa acompanhar isso.”

Um dos pontos de maior tensão para os geradores renováveis é a regulamentação da compensação pelo curtailment (cortes de geração). A definição técnica dessas regras impactará diretamente a saúde financeira dos projetos e a conta final do consumidor. Valenzuela detalha o cerne da disputa tarifária: “A Lei dá as diretrizes de quais os cortes que serão repassados ao consumidor e quais serão absorvidos pelos geradores. A discussão principal está, justamente, em como detalhar essas diretrizes, pois isso é o que vai efetivamente determinar o tamanho da conta de cada um dos lados.”

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