LRCAP 2026 contrata 19 GW e Apine ressalta ineditismo na ampliação de usinas hidrelétricas

Leilão de Reserva de Capacidade contrata 19 GW e consolida gás natural e ampliações hídricas como pilares da segurança do SIN.

O Sistema Interligado Nacional (SIN) deu um passo decisivo rumo à estabilidade operacional nesta quarta-feira (18/03). O 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, realizado na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), encerrou sete rodadas de disputa com a contratação de 18,97 GW de potência firme. O certame, que movimentará R$ 64,5 bilhões em investimentos totais, é visto como um marco para a confiabilidade do setor elétrico brasileiro entre 2026 e 2031.

Com um deságio médio de 5,52%, a economia estimada para o sistema chega a R$ 33,64 bilhões. A predominância das usinas termelétricas a gás natural reforça o papel da fonte como “backbone” da transição energética, garantindo a potência necessária para suportar a intermitência das fontes renováveis no país.

Apine celebra ineditismo na contratação de potência hidrelétrica

Além do volume expressivo de térmicas, o leilão trouxe uma inovação aguardada pelo setor: a viabilização de ampliações em usinas hidrelétricas. Pela primeira vez, o modelo de reserva de capacidade permitiu que o parque hídrico competisse de forma eficiente para oferecer segurança sistêmica.

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Rui Altieri, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), detalha o sucesso da competitividade e o impacto econômico dos projetos:

“Aqui na Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (APINE), nós ficamos muito felizes com o resultado do Leilão. Foram contratados 100 projetos e houve um deságio médio de 5,5%, o que demonstrou que houve competição. Esta contratação vai implicar investimentos de aproximadamente 65 bilhões de reais, o que vai movimentar bastante a economia nacional e, em especial, o setor elétrico. Foram contratados 19 gigawatts de potência, volume muito próximo do que o mercado estava prevendo. E é importante registrar que, pela primeira vez, contratou-se ampliações em usinas hidrelétricas. Este era um pleito antigo do segmento hidrelétrico.”

Para a liderança da associação, a quebra de paradigma na forma de contratar as usinas hídricas é o ponto alto do certame, permitindo que ativos já operacionais contribuam com novos investimentos. Altieri analisa como a mudança regulatória destravou esses projetos:

“Essas ampliações não eram viáveis na modalidade de contratação de energia, mas agora, na modalidade de potência, mostraram-se bastante competitivas. Portanto, são viáveis e essa forma de contratação deve ser intensificada. No curto prazo, as térmicas existentes darão a segurança necessária ao sistema; no médio prazo, as novas usinas e as ampliações em unidades existentes garantirão a tranquilidade para o atendimento do sistema, dentro dos parâmetros exigidos pela sociedade que serão, certamente, atendidos pelo operador.”

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Raio-X dos produtos e fontes vencedoras

A configuração dos lotes mostra uma estratégia de escalonamento. O primeiro produto (POTT-2026) concentrou dez vencedores em usinas a gás no Sudeste, região de maior carga do sistema. Já o lote de 2027 incluiu, além do gás, o carvão mineral, reforçando a diversidade da matriz em momentos críticos.

No produto de 2028, o destaque foi a pulverização: 51 vencedores e a inclusão do biometano, sinalizando a abertura para combustíveis renováveis de base térmica. As janelas de 2029 a 2031 seguiram dominadas pelo gás natural, com a entrada estratégica das hidrelétricas (POTH 2030 e 2031) para garantir a inércia e a flexibilidade do SIN.

Agenda regulatória: O próximo passo para o óleo

O mercado agora volta suas atenções para a próxima sexta-feira (20/03), quando a ANEEL e a CCEE operacionalizam o 3º LRCAP. O foco será a contratação de termelétricas movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel.

Este segundo certame da semana deve complementar a estratégia de segurança, focando em ativos de partida rápida para picos de demanda. Ambos os leilões utilizam a metodologia aprimorada do certame de 2021, consolidando o Leilão de Reserva de Capacidade como o instrumento oficial de expansão planejada e segurança de suprimento no Brasil.

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