Usina solar de 5,16 MW entra em operação em Parnaíba e fortalece a agenda de energia limpa no Piauí

Empreendimento fotovoltaico ao lado do Aeroporto Prefeito Dr. João Silva Filho alia geração distribuída, alta densidade tecnológica e integração à estratégia climática do estado

A expansão da geração solar no Nordeste ganhou um novo marco com a entrada em operação da Usina Fotovoltaica Parnaíba, no litoral do Piauí. Com potência instalada de 5,16 MWp em corrente contínua (CC) e 3,7 MW em corrente alternada (CA), o empreendimento reforça a produção de energia limpa no estado e se insere como um ativo estratégico para a modernização da infraestrutura energética local. Classificada como geração distribuída (GD), a usina aguarda sua conexão definitiva ao sistema de distribuição, etapa que permitirá ao aeroporto vizinho suprir uma parcela relevante de sua própria demanda elétrica.

Implantada ao lado do Aeroporto Prefeito Dr. João Silva Filho, a planta fotovoltaica foi concebida para dialogar diretamente com o desenvolvimento urbano e logístico da região de Parnaíba. A localização estratégica não apenas facilita o acesso operacional, como também integra o projeto ao corredor viário do aeroporto, otimizando atividades de operação e manutenção (O&M). Em um cenário de crescimento do consumo elétrico associado a serviços, mobilidade e turismo, o empreendimento se posiciona como um vetor de eficiência energética e redução de emissões.

Energia solar alinhada ao Plano de Ação Climática do Piauí

A Usina Fotovoltaica Parnaíba está em sintonia com o Plano de Ação Climática (PLAC) do Piauí, que estabelece a meta de alcançar 100% de energia renovável até 2050. O projeto traduz, na prática, a estratégia estadual de diversificação da matriz e de aproveitamento do elevado potencial solar da região. Ao conectar geração limpa à infraestrutura aeroportuária, a iniciativa sinaliza um modelo replicável de integração entre energia renovável e ativos críticos de transporte e logística.

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Do ponto de vista setorial, a entrada em operação da usina reforça o papel da geração distribuída como complemento relevante à expansão centralizada. Em especial no Nordeste, onde a incidência solar é elevada e a disponibilidade de áreas é favorável, projetos desse porte contribuem para aliviar o sistema elétrico, reduzir perdas e aumentar a resiliência da rede.

Configuração técnica e capacidade instalada

A planta conta com 8.820 módulos fotovoltaicos bifaciais de 585 Wp, modelo OSDA ODA585-36V-MHD, distribuídos em 83 mesas estruturais. Cada string é composta por 28 módulos, totalizando 315 strings no arranjo fotovoltaico. As mesas apresentam configuração variável, com quatro, duas ou uma string, inclinação de 10° e espaçamento entre eixos de 7,5 metros, desenho que favorece o desempenho energético e reduz sombreamentos.

A potência nominal instalada alcança 5.160 kWp em CC, enquanto a potência em CA soma 3.700 kW. A conversão da energia é realizada por 15 inversores da fabricante GoodWe, sendo 13 unidades do modelo GW250K-HT e duas do modelo GW225K-HT. Esses equipamentos estão distribuídos em dois eletrocentros, com sete e oito inversores por unidade, operando com 19, 21 ou 22 strings por inversor, conforme a configuração elétrica da planta.

Conectada à rede em tensão de 13,8 kV, a usina ocupa uma área com perímetro total de 1.042 metros, dimensionada para garantir segurança operacional e eficiência na circulação de equipes técnicas.

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Estrutura elétrica e integração segura à rede

A elevação da tensão da energia gerada, de 800 V para 13,8 kV, é realizada por meio de transformadores secos trifásicos de 2.000 kVA. Essa solução assegura a integração segura com a rede da concessionária e atende aos requisitos técnicos de confiabilidade e proteção.

Os cabos de corrente contínua seguem a norma ABNT NBR 16612 e foram instalados em eletrodutos de PEAD a 0,70 metro de profundidade, com ocupação máxima de quatro strings por eletroduto. Já os cabos de baixa tensão em corrente alternada utilizam condutores de alumínio de 240 mm² com isolação XLPE, enquanto a média tensão foi dimensionada com cabos de 50 mm² e 95 mm², em conformidade com as normas da concessionária local.

O sistema de aterramento foi projetado com base em ensaio de resistividade do solo (SEV), conforme a ABNT NBR 7117, utilizando cabos de aço cobreado e cobre nu de 50 mm², atendendo à NBR 16254. O aterramento contempla módulos, eletrocentros, cercas, cabines e estruturas metálicas, garantindo equipotencialização e proteção contra descargas atmosféricas.

Monitoramento, desempenho e segurança operacional

O projeto incorpora uma estação solarimétrica completa, equipada com piranômetros para medição de GHI, POA e albedo, além de anemômetro, anemoscópio, termohigrômetro, pluviômetro e sensor de temperatura dos módulos. Esses instrumentos são fundamentais para o controle de desempenho da planta, permitindo análises detalhadas de eficiência, perdas e disponibilidade.

Para a segurança patrimonial e operacional, foi implantado um sistema de CFTV composto por 35 câmeras do tipo bullet e duas speed dome, com monitoramento remoto e recursos de análise inteligente de imagens. A solução amplia a confiabilidade da operação e reduz riscos de interrupções ou danos aos ativos.

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