Por Eric Fernando Boeck Daza, especialista em clima e energia
Em 2025, o clima deixou de ser apenas um tema ambiental e passou a ser um fator direto de custo econômico. Em governos, empresas e mercados financeiros, a questão central já não é se o aquecimento global existe, mas quanto ele custa e como afeta cadeias produtivas, infraestrutura, crédito e seguros. A ciência avançou com clareza, mas a execução política e econômica seguiu aquém do necessário, ampliando a distância entre diagnóstico e resposta.
Os dados reforçaram a gravidade do momento. Informações do Copernicus indicaram 2025 entre os anos mais quentes da série histórica, com médias próximas de 1,5°C acima do nível pré-industrial. A Organização Meteorológica Mundial confirmou a tendência ao apontar o período 2015–2025 como a sequência dos anos mais quentes já registrados, mostrando que o aquecimento de fundo persiste mesmo sem eventos climáticos extremos excepcionais.
Do lado das emissões, o descompasso entre promessa e entrega ficou evidente. O Emissions Gap Report 2025 mostrou que, mesmo com a implementação integral das NDCs, as reduções projetadas permanecem muito abaixo das trajetórias compatíveis com as metas do Acordo de Paris. Esses números deixaram de ser apenas técnicos e passaram a orientar avaliações de risco, decisões de investimento e análise de ativos.
Os custos já são concretos. A Swiss Re estimou perdas econômicas globais de US$ 220 bilhões em 2025 por desastres naturais. A síntese do ano é clara: o custo da inação climática deixou de ser futuro e já está sendo cobrado no presente.



