Com apoio do PNUD, estado elabora o PEEPI para converter 107% de suficiência energética em polo de industrialização, focado em hidrogênio verde, data centers e agroindústria.
O Piauí deu início à elaboração do seu primeiro Planejamento Energético Estadual (PEEPI), uma iniciativa estratégica que visa transformar a abundância de recursos naturais em um vetor direto de reindustrialização e inclusão social. Liderado pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), o projeto conta com o suporte técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a assessoria da Meridian Climate & Energy Advisory.
Atualmente, o estado ostenta uma matriz de geração quase integralmente limpa, com 99,75% da produção proveniente de fontes renováveis, como eólica e solar. Com um índice de suficiência de 107%, o Piauí consolidou-se como um exportador líquido de energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN). O novo plano busca superar esse modelo de “enclave exportador” para focar na internalização dos benefícios econômicos da geração.
Foco em Setores Estratégicos e Infraestrutura de Rede
O PEEPI funcionará como um mapa para o direcionamento da carga, identificando gargalos e oportunidades para setores que demandam alto consumo energético e previsibilidade. A agroindústria, a expansão dos sistemas de saneamento e o setor de tecnologia, com ênfase na instalação de data centers, estão no topo das prioridades do governo estadual.
Além disso, o planejamento pavimenta o caminho para a consolidação do Hub de Hidrogênio Verde (H2V), segmento que exige uma integração profunda entre a geração renovável e a infraestrutura logística. O estudo visa alinhar a expansão da demanda energética com políticas industriais que garantam a geração de emprego e renda nos polos produtores.
Governança e Projeções de Longo Prazo
Entre os dias 14 e 18 de abril de 2026, uma força-tarefa presencial ocorre em Teresina para consolidar as projeções de demanda e cenários de expansão. A agenda técnica reúne especialistas da Seplan, consultores, lideranças locais e distribuidoras de energia para estruturar soluções de gestão da produção.
Ao analisar o potencial de integração dos ecossistemas produtivos com a vocação natural do estado, o especialista internacional em transição energética e líder técnico do projeto, Eric Fernando Boeck Daza, ressaltou a mudança de paradigma proposta: “O Piauí tem um dos maiores parques eólicos das Américas. Tem energia limpa de sobra. E com esse plano estamos criando uma estratégia para transformar esse diferencial em desenvolvimento onde ela é gerada. Precisamos entrar na fase de integração desses ecossistemas.”
O principal entregável desta fase será o Caderno Técnico Unificado. O documento servirá como base técnica para a articulação junto ao governo federal e para a captação de investimentos privados, oferecendo maior segurança jurídica e previsibilidade para projetos estruturantes.
Combate à Pobreza Energética e Inclusão Social
Alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 7) da ONU, o plano estadual incorpora uma dimensão social robusta ao mapear os 12 territórios de desenvolvimento do estado. O objetivo é identificar e mitigar a “pobreza energética”, garantindo que a transição para fontes limpas não se restrinja à escala industrial, mas chegue às comunidades locais de forma equilibrada e acessível.
A proposta é que o planejamento energético atue como uma ferramenta de redução de desigualdades regionais, assegurando que o desenvolvimento econômico seja acompanhado por melhorias na qualidade de vida e no acesso universal à energia em todas as regiões do Piauí.



