Plano detalha investimentos em linhas, subestações e modernização de ativos, com destaque para Goiás, Sul do país e conexão de data centers no Sudeste
O Ministério de Minas e Energia publicou a quarta emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica 2025 (POTEE), consolidando um conjunto estratégico de obras voltadas à expansão e modernização do Sistema Interligado Nacional. O documento é considerado um dos principais instrumentos de planejamento do setor elétrico, ao orientar tanto projetos que serão licitados quanto aqueles que receberão autorização direta.
A nova edição reforça o papel da transmissão como elemento central para garantir confiabilidade, segurança energética e integração de novas cargas e fontes de geração, em um cenário de crescimento da demanda e transformação do perfil de consumo no país.
Planejamento da transmissão ganha protagonismo no setor elétrico
O POTEE reúne projetos de linhas de transmissão, subestações e reforços estruturais que buscam antecipar gargalos e assegurar o atendimento à demanda futura. O cronograma técnico é fundamentado em estudos técnicos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética, que avaliam cenários de carga, expansão da geração e necessidades regionais do sistema.
A publicação desta nova edição ocorre em um momento em que a expansão da infraestrutura elétrica se torna ainda mais crítica, diante do avanço das energias renováveis, da interiorização da geração e da crescente eletrificação de setores produtivos.
Goiás se destaca com reforço estrutural e novos ativos
Entre os destaques do plano está o estado de Goiás, que receberá um conjunto relevante de investimentos voltados ao aumento da capacidade de transformação e à melhoria da robustez do sistema.
Um dos principais projetos é a implantação da Subestação Iaciara 2 (230/138 kV), que operará de forma integrada à nova Linha de Transmissão 230 kV Rio das Éguas – Iaciara 2. A iniciativa busca fortalecer o atendimento à região Nordeste do estado e ampliar a robustez da rede.
O plano também prevê a substituição de transformadores em subestações estratégicas, como Itapaci, Águas Lindas, Xavantes e Goiânia Leste, além de melhorias adicionais na Subestação Serra da Mesa, medidas essenciais para suportar o crescimento da carga e reduzir riscos operacionais.
Região Sul recebe investimentos para atender aumento de demanda
No Sul do país, os estados do Rio Grande do Sul e Paraná concentram projetos voltados à ampliação da capacidade e mitigação de sobrecargas, refletindo o crescimento do consumo e a necessidade de reforço da rede.
No Rio Grande do Sul, o planejamento inclui obras estruturantes nas regiões de Panambi e Cruz Alta, com a implantação da Subestação Passo Real (230/138 kV) e da Linha de Transmissão 69 kV Cruz Alta 1 – Panambi C1. Também estão previstos reforços em instalações existentes, ampliando a confiabilidade do sistema no médio e longo prazo.
Já no Paraná, o foco está na ampliação da Subestação Iguaçu (230/138 kV), projeto que deriva de estudos específicos de estabilidade da tensão para a região de Foz do Iguaçu. A obra visa adequar a capacidade de transformação ao crescimento projetado da carga, evitando restrições operacionais futuras.
Sudeste avança na conexão de data centers ao SIN
Um dos pontos mais relevantes desta edição do POTEE é a inclusão de projetos voltados à conexão de data centers ao SIN, especialmente na região Sudeste.
A medida reflete uma mudança estrutural no perfil de consumo de energia no Brasil, com o crescimento acelerado do setor de processamento de dados, impulsionado pela digitalização da economia, computação em nuvem e inteligência artificial.
Ao viabilizar a infraestrutura necessária para atender essa demanda, o planejamento da transmissão se antecipa a um novo vetor de carga, que exige alta confiabilidade, qualidade de energia e disponibilidade contínua.
Transmissão como pilar da transição energética
A nova emissão do POTEE reforça a importância da infraestrutura de transmissão como base para a transição energética brasileira. A expansão da rede é fundamental para integrar fontes renováveis, muitas vezes localizadas em regiões remotas, aos centros de consumo.
Além disso, o fortalecimento do SIN contribui para aumentar a resiliência do sistema elétrico, reduzir riscos de sobrecarga e melhorar a eficiência na operação energética.
Nesse contexto, o planejamento coordenado entre expansão, modernização e digitalização da rede elétrica se consolida como um dos principais desafios, e oportunidades, do setor nos próximos anos.



