Gestão de pessoas se torna fator estratégico para comercializadoras de energia na abertura total do mercado livre

Especialistas apontam que, com a ampliação do mercado varejista de energia, o setor precisará fortalecer a liderança e investir em equipes mais preparadas para lidar com clientes diversos e operações complexas

A abertura total do mercado livre de energia elétrica, prevista pela Medida Provisória 1.304, está provocando uma transformação profunda na forma como as comercializadoras de energia operam no Brasil. À medida que o acesso ao mercado se expande para consumidores de todos os perfis, incluindo pequenas empresas e residências, o desafio das companhias vai muito além da gestão de contratos e da competitividade comercial: passa, também, pela gestão de pessoas.

Com mais de 550 comercializadoras registradas na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e quase 150 habilitadas como varejistas, o setor caminha para um cenário de intensa concorrência e complexidade operacional. De acordo com dados da CCEE, 26.834 unidades consumidoras migraram para o mercado livre em 2024, um crescimento recorde impulsionado pela Portaria MME nº 50/2022, que abriu o Ambiente de Contratação Livre (ACL) para consumidores com demanda inferior a 500 kW.

Para Sueli Hudson, fundadora da Crescera Desenvolvimento Humano e especialista com mais de dez anos de experiência em gestão de pessoas no setor elétrico, o sucesso das comercializadoras no novo contexto dependerá da capacidade de construir estruturas organizacionais robustas e equipes bem preparadas.

- Advertisement -

“A ampliação do mercado e o aumento da concorrência exigem que as empresas não só se adaptem às novas regulamentações, mas também passem a gerenciar suas equipes de forma mais estratégica, com ênfase na área de Recursos Humanos”, explica Sueli.

RH passa a ser diferencial competitivo no novo ambiente de energia

Com a abertura total prevista até 2027, as comercializadoras varejistas terão que lidar com volumes muito maiores de clientes e contratos, além de perfis de consumidores mais variados, que incluem desde residências até pequenas e médias empresas. Esse salto exigirá não apenas sistemas tecnológicos eficientes, mas também gestão de talentos e lideranças preparadas para o novo ritmo do mercado.

Segundo Sueli Hudson, um RH estruturado será um diferencial decisivo. “A gestão de pessoas é fundamental para garantir que todas as áreas da empresa funcionem de forma eficaz e integrada, desde a negociação de contratos até o atendimento ao cliente e a gestão da operação”.

Para a especialista, a capacitação de equipes e o fortalecimento da cultura organizacional são aspectos que impactam diretamente o desempenho comercial. “Equipes engajadas e bem treinadas serão essenciais, especialmente em um mercado dinâmico, com diferentes perfis e necessidades de consumidores”, complementa.

- Advertisement -

Liderança inspiradora será determinante para o sucesso das comercializadoras

Com o avanço da liberalização, o papel da liderança ganha ainda mais relevância. A abertura do mercado demanda lideranças com visão estratégica, capazes de equilibrar metas de curto prazo, como rentabilidade e eficiência, com objetivos de longo prazo, como inovação, satisfação do cliente e cultura de alto desempenho.

“Líderes capacitados, com visão clara do futuro, têm o poder de manter as equipes alinhadas com os objetivos da empresa, motivadas e preparadas para os desafios. Líderes que saibam inspirar e direcionar suas equipes terão um papel fundamental na adaptação e crescimento das empresas dentro desse novo contexto de mercado”, ressalta Sueli Hudson.

Essa transformação organizacional será especialmente crítica para comercializadoras que pretendem operar como varejistas no mercado de massa, onde o atendimento personalizado, a comunicação digital e a eficiência operacional são fundamentais.

O impacto da abertura total do mercado de energia

A MP 1.304/2025 define o cronograma de abertura total do mercado livre de energia elétrica em duas etapas:

  • 1º de agosto de 2026 – abertura para todos os consumidores conectados à rede de média e alta tensão (Grupo A);
  • 1º de dezembro de 2027 – inclusão dos consumidores do Grupo B, como residenciais e microempresas, o que poderá representar mais de 90 milhões de novos consumidores potenciais.

Segundo dados da CCEE, até junho de 2025 o mercado livre já contava com 77 mil unidades consumidoras ativas, das quais 26.680 estavam em regime varejista. Esse número deve crescer exponencialmente com a entrada dos consumidores de baixa tensão, consolidando o maior movimento de liberalização do setor elétrico brasileiro em mais de duas décadas.

Especialistas alertam que a expansão criará novas oportunidades de negócios, mas também maiores riscos operacionais e reputacionais, o que reforça a necessidade de estruturas internas sólidas, governança corporativa e gestão de pessoas eficiente.

Desafios e oportunidades para o setor

O novo ambiente competitivo também deverá impulsionar ferramentas de automação, plataformas digitais de atendimento, e estratégias de marketing e fidelização voltadas a consumidores mais informados e exigentes. Entretanto, como destaca Sueli Hudson, a tecnologia sozinha não garante o sucesso.

“A abertura do mercado representa uma oportunidade única, mas também um desafio enorme. As empresas que entenderem que a energia é um serviço humano, que depende de pessoas, relacionamentos e confiança, terão mais chances de se destacar nesse novo cenário”, enfatiza.

A transição para um mercado livre de energia mais amplo, competitivo e plural exige não apenas inovação tecnológica, mas também liderança inspiradora e gestão estratégica de talentos, fatores que, segundo os especialistas, determinarão quais comercializadoras irão se consolidar como protagonistas da nova fase do setor elétrico brasileiro.

Destaques da Semana

Bancada do PT quer nova estatal para atuar no mercado de GLP e logística

Projeto liderado por Pedro Uczai autoriza criação de novas...

ANEEL propõe endurecer regras da geração distribuída e abrir caminho para corte remoto de MMGD

Consulta pública amplia poder das distribuidoras, prevê auditorias obrigatórias...

Enel SP: Indenização por caducidade pode chegar a R$ 15 bilhões e ANEEL estuda licitação

Agência Nacional de Energia Elétrica projeta impacto bilionário com...

CCEE enquadra Tradener em operação balanceada e reforça monitoramento no mercado de energia

Decisão amplia controle sobre contratos e exposição financeira do...

Dados desconectados elevam risco operacional e regulatório no setor elétrico brasileiro

Avanço da geração distribuída e do mercado livre expõe...

Artigos

Últimas Notícias