Brasil corre risco real de novo colapso energético se não investir em eficiência

Por Jones Poffo, especialista em eficiência energética e CEO da P3 Engenharia

O Brasil já esteve várias vezes à beira de um colapso energético. Do racionamento de 2001 ao quase apagão de 2014, passando pela crise hídrica de 2021, a história mostra que crescimento econômico e segurança energética nem sempre caminham lado a lado. Se o país voltar a registrar expansão de PIB em torno de 3,5%, o consumo pode crescer até 5% — cenário que acende um novo alerta.

Em 2001, enfrentamos uma das crises energéticas mais graves da história. A combinação de chuvas escassas, falta de planejamento e respostas lentas das autoridades, aumento da demanda e alta dependência das hidrelétricas levou à adoção do racionamento de energia, em estados do Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, entre junho de 2001 e março de 2002.

Em 2014, o país vivia um forte crescimento econômico, mas chegou novamente à beira do colapso energético. O apagão só não ocorreu porque a desaceleração econômica diminuiu o consumo de energia. Já em 2021, mesmo com ritmo mais lento de crescimento, uma das maiores crises hídricas que já tivemos quase gerou um novo colapso. Graças ao Sistema Interligado Nacional, a energia do Sul foi enviada ao Sudeste — que vivia em situação de estiagem — evitando o apagão.

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O risco de colapso energético é real e pouco debatido. A matriz atual, baseada em fontes renováveis de baixa eficiência e sem grandes projetos estruturantes, dificilmente suportará o crescimento econômico futuro. Historicamente, sempre que o PIB cresce acima da média, a energia se torna gargalo. Se a economia reagir, o desequilíbrio energético pode se tornar crítico já em 2033.

Apesar dos investimentos em energia solar e eólica terem crescido, eles estão chegando a um ponto de estabilidade ou até declínio. A eficiência dessas fontes também é baixa: a energia solar varia entre 17% e 19%, enquanto a hídrica pode chegar a 80%. E não há previsão de grandes projetos hidrelétricos para equilibrar a matriz.

O Brasil tem energia limpa e enorme potencial para crescer, mas não é eficiente na sua utilização. A conta dessa ineficiência pode chegar mais rápido do que imaginamos. Empresas e gestores que entenderem isso agora e otimizarem sua matriz de consumo estarão à frente, ganhando vantagem competitiva diante de um cenário inevitável de maior custo e risco de desabastecimento.

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