Brasil precisará investir até US$ 450 bilhões em energia limpa até 2050, aponta PSR

Estudo liderado pelo CEO da PSR, Luiz Barroso, prevê necessidade de 345 GW adicionais de capacidade renovável para sustentar o crescimento econômico e manter a matriz elétrica majoritariamente limpa

O Brasil deverá ampliar significativamente sua capacidade de geração de energia nas próximas décadas. De acordo com projeções da PSR Soluções e Consultoria em Energia, o país precisará adicionar 345 gigawatts (GW) de energia limpa até 2050 para atender ao aumento do consumo e preservar a característica renovável de sua matriz elétrica.

O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (10), estima que o investimento necessário para essa expansão ficará entre US$ 400 bilhões e US$ 450 bilhões, valor que reflete não apenas o crescimento econômico previsto, mas também o avanço de novas demandas como data centers, produção de hidrogênio verde e eletrificação do transporte e da indústria.

Segundo o CEO da PSR, Luiz Barroso, o estudo parte de uma análise neutra em relação às tecnologias, considerando a importância de cada fonte energética dentro do sistema elétrico nacional. “A expansão da geração projetada pela PSR é neutra e considera os atributos das fontes para o sistema elétrico. Tecnologias como nuclear, biomassa, hidráulica, eólica, solar e armazenamento são consideradas no estudo, além do gás, apesar de não ser ‘limpo’ em termos de emissão de gases de efeito estufa”.

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Fontes renováveis são mais vantajosas e competitivas

O estudo da PSR destaca que as fontes renováveis de energia, como a eólica, a solar e a hidráulica, permanecem como as opções mais competitivas economicamente para o Brasil. O custo mais baixo de implantação e operação dessas tecnologias reforça a viabilidade de manter uma matriz elétrica majoritariamente limpa nos próximos 25 anos.

Barroso destacou que o caráter sustentável dessas fontes é apenas um complemento a uma vantagem que já é essencialmente econômica. “As fontes de energia renovável consideradas no estudo são economicamente vantajosas, com menos custo em relação às fósseis. O fato de serem ‘limpas’ é um ‘bônus’ para a energia que já é atrativa do ponto de vista econômico”.

Essa constatação reforça a tendência observada nas últimas décadas: o Brasil consolidou-se como uma potência em energia renovável, com aproximadamente 90% da matriz elétrica composta por fontes de baixo carbono, um percentual muito superior à média global.

Planejamento energético é chave para evitar retrocessos

A análise da PSR alerta que decisões desalinhadas com o planejamento energético e que envolva comprar energia fóssil podem comprometer a trajetória sustentável do setor elétrico brasileiro.

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“O que mostramos é que, de hoje até 2050, a demanda cresce porque desenvolvemos o país, porque tem data center, hidrogênio, eletrificação e outros consumos. A oferta precisa crescer para atender a essa demanda. Então, como construímos a geração até lá para atender a essa demanda, mas minimizando o custo de investimento e produção para todo mundo? Qualquer decisão que tomemos fora do planejamento e que envolva comprar energia fóssil, vai bagunçar esse Norte”, explicou Barroso.

A observação do especialista evidencia a importância de uma política energética integrada, que leve em conta os impactos econômicos e ambientais de longo prazo. A adoção de medidas sem respaldo técnico, como a expansão de térmicas a combustíveis fósseis, pode gerar ineficiência no sistema, encarecimento da tarifa e aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Setor elétrico como pilar da descarbonização nacional

O estudo da PSR também aponta que, atualmente, o setor elétrico brasileiro tem um saldo de emissões negativo, ou seja, ele compensa emissões de outros segmentos da economia nacional. Essa condição, no entanto, pode ser revertida caso o país reduza significativamente o percentual de renovabilidade.

“Hoje, o Brasil tem 90% da matriz formada por fontes renováveis e tem emissões negativas no setor elétrico. Ou seja, ajuda a compensar as emissões de outros setores da economia. Contudo, caso esse percentual seja reduzido a 50% até 2050, por exemplo, as emissões do setor elétrico passarão a ser positivas”, alertou Barroso.

Manter a matriz elétrica limpa e competitiva é, portanto, uma estratégia essencial não apenas para sustentar o desenvolvimento, mas também para fortalecer a imagem do Brasil como líder global em energia sustentável, uma posição cada vez mais relevante em um contexto de descarbonização mundial.

Transição energética e oportunidades de investimento

Os números apresentados pela PSR reforçam que a transição energética brasileira representa um dos maiores potenciais de investimento do planeta. O volume estimado de US$ 400 a US$ 450 bilhões em novas usinas e infraestrutura elétrica até 2050 não é apenas um desafio, mas uma oportunidade de atrair capital internacional, gerar empregos e impulsionar inovação tecnológica.

Com a expansão do mercado de energia solar e eólica, além do desenvolvimento de soluções em armazenamento e hidrogênio verde, o país tem condições de unir competitividade econômica, segurança energética e sustentabilidade ambiental.

O futuro energético do Brasil dependerá, em grande medida, de políticas públicas consistentes, planejamento de longo prazo e marcos regulatórios estáveis, capazes de criar um ambiente favorável para novos investimentos e para o fortalecimento da economia verde.

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