Brasil prioriza cinco hubs de hidrogênio para descarbonizar a indústria até 2035

Seleção faz parte do Programa Nacional do Hidrogênio e garante ao país acesso a até US$ 250 milhões em recursos internacionais para acelerar a transição energética

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou nesta sexta-feira (29/08) o resultado da chamada pública para a seleção de hubs de hidrogênio de baixa emissão de carbono, voltados à descarbonização de setores industriais considerados de difícil abatimento. A medida integra o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e marca um passo estratégico na consolidação do Brasil como protagonista na transição energética global.

A chamada atraiu 70 propostas de diferentes regiões do país, das quais cinco foram priorizadas pelo MME para compor o Plano de Investimentos do Brasil no âmbito do Climate Investment Funds – Industry Decarbonization (CIF-ID), iniciativa internacional de fomento a tecnologias de baixo carbono.

“A iniciativa representa uma relevante estratégia para identificar propostas nacionais que têm potencial para contribuir com a transição energética e a descarbonização de setores industriais de difícil abatimento”, destacou o MME em nota oficial.

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Os cinco projetos priorizados pelo Brasil

Após criteriosa análise técnica, baseada em critérios de elegibilidade, impacto, inovação e soluções aplicáveis, foram selecionados cinco projetos com alto potencial de implementação até 2035:

  1. Projeto H2Orizonte Verde – Grupo CSN – RJ
  2. Hub de H2V de Camaçari – Neoenergia S.A. – BA
  3. B2H2 – Copel GET – PR
  4. Uberaba Green Fertilizer – Atlas Agro Brasil Fertilizantes LTDA – MG
  5. Hub de Hidrogênio e Amônia em MG – Cemig Geração e Transmissão S.A. – MG

Esses empreendimentos foram indicados para receber apoio técnico e financeiro, podendo se tornar referências na cadeia de hidrogênio verde (H2V) no país, ampliando sua competitividade internacional.

Brasil lidera corrida internacional por investimentos

O resultado da chamada pública também embasou a Expressão de Interesse (EoI) do Brasil, submetida em janeiro de 2025 ao CIF-ID pelo Ministério da Fazenda. O país conquistou a primeira colocação entre 26 concorrentes, assegurando acesso a até US$ 250 milhões em recursos concessionais destinados a acelerar projetos de hidrogênio de baixo carbono.

A conquista reforça o posicionamento do Brasil no mercado internacional de energias limpas. O hidrogênio verde é visto como uma solução estratégica não apenas para reduzir emissões na indústria pesada, mas também para ampliar a participação brasileira em cadeias globais de valor ligadas à descarbonização.

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Próximos passos: construção do Plano de Investimentos

A etapa seguinte será a elaboração e finalização do Plano de Investimentos do Brasil no âmbito do CIF-ID. O processo será coordenado pelo Ministério da Fazenda, em parceria com o MME, MDIC, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial e UNIDO.

O documento será determinante para orientar a alocação dos recursos internacionais aos projetos selecionados, garantindo que as iniciativas tenham condições de escalar em prazo compatível com as metas de neutralidade climática.

Avanço na transição energética

A seleção dos hubs de hidrogênio consolida o compromisso brasileiro com uma transição energética justa, inovadora e sustentável, capaz de equilibrar competitividade econômica e responsabilidade ambiental.

Com a iniciativa, o Brasil fortalece sua posição como polo de desenvolvimento tecnológico no setor energético e sinaliza para investidores globais que o país está preparado para liderar a agenda de descarbonização industrial nas próximas décadas.

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