Raízen avança na estratégia de desinvestimento em geração distribuída com venda de ativos à Gera e Thopen

Cisão de joint venture com a Gera e alienação de 55 usinas por R$ 600 milhões sinalizam mudança no foco operacional da companhia, aprovada pelo Cade. Meta é simplificar operações e reduzir despesas

A Raízen deu um passo importante em sua estratégia de desinvestimento no setor de geração distribuída (GD) com a conclusão da primeira etapa da cisão de sua joint venture com o grupo Gera, criada em 2021. A operação foi aprovada recentemente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), marcando o início da alienação de ativos da companhia nesse segmento. A decisão reforça o movimento da Raízen de concentrar recursos nas atividades centrais do seu negócio, com foco em eficiência, simplificação operacional e controle de custos.

A joint venture entre Raízen e Gera havia sido constituída para viabilizar investimentos conjuntos em ativos de GD com fontes solar fotovoltaica, hidrelétrica e térmica a biogás, além da oferta de serviços de gestão e otimização energética. Com a cisão, a Raízen vendeu 11 desses ativos para o grupo Gera, em um movimento mais amplo que envolveu a transferência de um total de 55 usinas de geração distribuída — parte delas também adquiridas pela Thopen Energia. O valor agregado da operação foi de aproximadamente R$ 600 milhões.

Segundo comunicado da Raízen, os valores serão recebidos à medida que as usinas forem transferidas, com a conclusão prevista para ocorrer até março de 2026.

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Cade avaliza cisão e reforça expansão da Gera no segmento

A aprovação da operação pelo Cade foi um passo fundamental para destravar a transação e permitir que as partes sigam com seus planos estratégicos. À autoridade antitruste, a Raízen informou que esta venda representa a primeira etapa de seu plano de desinvestimento na área de geração distribuída, de modo a direcionar esforços para seu “core business”. A companhia já havia sinalizado essa reestruturação ao mercado meses antes.

Em maio deste ano, o CEO da Raízen, Nelson Gomes, afirmou que a empresa buscaria simplificar suas operações e aprimorar a eficiência interna. “A estratégia da empresa será simplificar suas operações, com foco na eficiência e redução de despesas”, destacou Gomes.

Do outro lado da operação, o grupo Gera reforçou ao Cade que a cisão está em linha com seus interesses estratégicos. A empresa pretende expandir sua atuação e explorar novas oportunidades no setor de geração distribuída de energia elétrica, segmento que vem crescendo no país com o avanço da mini e microgeração, especialmente solar.

Reposicionamento de portfólio inclui vendas no setor sucroenergético

A venda dos ativos de GD integra um esforço maior da Raízen de reciclagem de portfólio e reorganização estratégica. Em julho deste ano, a companhia também anunciou a venda de ativos relacionados à cana-de-açúcar para a São Martinho e a Usina Batatais, em outra operação que recebeu o aval do Cade. Avaliada em R$ 1,04 bilhão, essa transação envolveu a alienação de parte da matéria-prima utilizada em suas unidades industriais e foi estruturada para apoiar a redução do endividamento da empresa.

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Essas medidas fazem parte de um movimento contínuo da companhia para fortalecer sua posição financeira e alinhar os investimentos às áreas mais estratégicas e rentáveis. A GD, embora promissora, exige elevado capital intensivo e presença regional, o que pode destoar do modelo de negócios que a Raízen pretende adotar no futuro próximo.

Transição energética e foco setorial

O desinvestimento da Raízen ocorre em um momento de amadurecimento do mercado de geração distribuída no Brasil. Com a consolidação de players especializados, como Gera e Thopen, e o novo marco legal da GD (Lei nº 14.300/2022), o setor vive um ambiente regulatório mais estável e atrativo para investimentos.

Ao sair parcialmente do segmento, a Raízen reafirma seu foco na produção de etanol, biogás, bioeletricidade, trading de energia e operação de ativos de maior escala — áreas em que detém experiência consolidada e potencial de liderança no contexto da transição energética.

Perspectivas até 2026

Com o cronograma de conclusão da venda das usinas se estendendo até março de 2026, a companhia deverá continuar com iniciativas que contribuam para a redução de sua dívida líquida e maior retorno aos acionistas.

A expectativa é de que a simplificação do portfólio permita maior alocação de capital nos segmentos mais estratégicos, especialmente biocombustíveis avançados, comercialização de energia e eficiência energética industrial.

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