Volume de descargas elétricas aumenta 360% fora da estação chuvosa, exigindo novos modelos de planejamento e resiliência climática
A cidade de São Paulo registrou um aumento alarmante na incidência de raios entre maio e julho de 2025, acendendo um sinal de alerta para empresas dos setores de energia e infraestrutura. Segundo levantamento da Climatempo, foram 148 registros de raios do tipo nuvem-solo no período — um crescimento de 362% em comparação ao mesmo intervalo de 2024, quando apenas 32 descargas haviam sido contabilizadas.
O dado chama atenção especialmente por ocorrer em meses historicamente secos, com baixa atividade elétrica. Apenas em junho, foram 97 descargas, enquanto maio registrou 51 — volumes considerados atípicos para o clima da capital paulista.
Para especialistas da Climatempo, esse comportamento fora do padrão evidencia sinais de desorganização no ciclo sazonal, com implicações diretas para a operação e segurança de sistemas elétricos, obras civis e outras atividades sensíveis às condições meteorológicas.
Raios fora de época: o que isso revela sobre o clima?
“Essa concentração de raios em um período que historicamente é seco indica uma mudança importante na distribuição dos eventos atmosféricos extremos”, afirma Ana Clara Marques, meteorologista da Climatempo. “Estamos observando uma antecipação de comportamentos típicos da estação chuvosa e uma crescente irregularidade na intensidade e localização das tempestades”, complementa.
A previsão da Climatempo para a temporada chuvosa de 2025, que normalmente se intensifica entre setembro e novembro, aponta para maior frequência de raios, tempestades localizadas, ventos fortes e granizo. Também há expectativa de deslocamentos abruptos desses eventos ou concentração deles em períodos curtos, o que pode sobrecarregar a capacidade de resposta de setores críticos.
Energia elétrica sob pressão: danos e riscos operacionais crescem
Para Vitor Hassan, Head Comercial de Energia da Climatempo, a antecipação de tempestades elétricas fora do padrão sazonal impõe desafios operacionais relevantes à rede elétrica, incluindo transformadores, subestações e linhas de distribuição.
“Não basta prever que vai chover. É essencial entender como, onde e com que intensidade os impactos vão ocorrer”, destaca Hassan. Segundo ele, a compreensão do comportamento espacial e temporal das descargas é fundamental para orientar decisões estratégicas, como o direcionamento de equipes de manutenção, investimentos em proteção de ativos e definição de áreas críticas.
Ele defende uma preparação mais inteligente e localizada da infraestrutura elétrica, especialmente em ambientes urbanos, onde os efeitos de interrupções podem ser mais amplos e custosos.
Infraestrutura e obras civis também enfrentam riscos crescentes
O setor de engenharia civil e infraestrutura também está sob pressão com as mudanças recentes no comportamento climático. Thiago Aires, Head Comercial de Infraestrutura da Climatempo, alerta que projetos de obras, transporte e saneamento que antes seguiam padrões estáveis agora enfrentam paralisações, perdas operacionais e aumento de riscos.
“Planejar com base em médias históricas já não é suficiente. É necessário usar modelos que antecipem o comportamento climático real para cada localidade e período do ano”, afirma. Ele destaca que obras a céu aberto, cronogramas apertados e demandas por segurança elevam a urgência de incluir inteligência climática no planejamento de projetos.
Inteligência climática: ferramenta estratégica para decisões críticas
Em meio à crescente imprevisibilidade climática, empresas dos setores mais sensíveis ao clima estão buscando apoio especializado para incorporar variáveis meteorológicas em suas rotinas de decisão. A Climatempo tem ampliado sua atuação como parceira estratégica nesse contexto, oferecendo estudos técnicos e ferramentas operacionais adaptadas à realidade de cada negócio.
O estudo de caracterização climática da Climatempo fornece um panorama técnico que inclui:
- Dados históricos de extremos climáticos na localidade do cliente
- Projeções de longo prazo com base em modelos de mudança climática
- Avaliação de impacto por setor e recomendações para adaptação
- Monitoramento e alertas operacionais em tempo real
Segundo Thiago Aires, esse tipo de abordagem ajuda empresas a desenvolver planos de contingência, realocação de recursos, proteção de ativos e diálogo técnico com reguladores e seguradoras. “O clima está mudando, e a maneira como as empresas lidam com ele também precisa evoluir. Hoje, resiliência climática é um diferencial competitivo”, conclui.



