Queda nos preços dos equipamentos e alta na conta de luz impulsionam crescimento de pequenas instalações; São Paulo, Bahia e Minas Gerais lideram em novos sistemas
A geração distribuída de energia solar segue em ritmo acelerado no Brasil. Até junho de 2025, o país contabilizou mais de 3,66 milhões de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica, conforme aponta o mais recente Infográfico Solfácil, relatório mensal da empresa Solfácil com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O levantamento mostra que o setor está sendo puxado principalmente por consumidores residenciais, que buscam alternativas para economizar na conta de luz e garantir maior autonomia energética.
De janeiro a junho deste ano, foram conectados à rede cerca de 419 mil novos sistemas solares. Apesar do avanço em número de instalações, a potência total caiu 9% na comparação com o mesmo período de 2024. O fenômeno é explicado pelo aumento na participação de sistemas de menor porte, voltados especialmente para o consumo doméstico.
Residências puxam expansão e respondem por 82% dos sistemas
Os dados revelam uma mudança importante no perfil da geração distribuída solar no país. Sistemas com potência entre 3 e 6 kilowatts-pico (kWp), faixa comum em telhados residenciais e pequenos comércios, responderam por 46% das novas conexões em 2025. Para efeito de comparação, essa faixa representava 35% das instalações em 2017.
Atualmente, 82% de todos os sistemas solares instalados no Brasil estão em residências. Os setores comercial e rural aparecem com 8% cada, enquanto o segmento industrial soma apenas 1% das conexões.
Segundo Fabio Carara, CEO e fundador da Solfácil, a energia solar segue sendo uma alternativa economicamente atrativa. “O custo das placas solares seguem em queda, o retorno sobre o investimento é rápido, normalmente em menos de três anos, e a conta de luz não para de subir”, afirma o executivo.
Centro-Oeste lidera em proporção de unidades consumidoras com energia solar
Quando se observa a penetração da energia solar em relação ao total de unidades consumidoras, o Centro-Oeste se destaca como a região com maior proporção de usuários que adotaram a geração distribuída. Ao todo, 9,5% das unidades consumidoras da região contam com sistemas solares instalados.
Na sequência, aparecem as regiões Sul (7,6%), Norte (5,6%), Sudeste (5,2%) e Nordeste (5,1%). O dado reforça o avanço da tecnologia em todo o território nacional, mas também indica potencial ainda inexplorado em muitas áreas, especialmente no Nordeste, que possui alta incidência solar e espaço para crescimento.
São Paulo, Bahia e Minas Gerais concentram novas conexões
Nos últimos 12 meses, três estados lideraram em número absoluto de novas conexões de sistemas solares: São Paulo, Bahia e Minas Gerais. Juntos, os três responderam por quase 30% das novas instalações no país no período.
São Paulo aparece na liderança com 159 mil novas conexões, refletindo o tamanho do seu mercado consumidor e a alta urbanização. Em seguida, a Bahia registrou 69 mil sistemas, enquanto Minas Gerais completou 64 mil instalações. Mato Grosso (63 mil) e Rio Grande do Sul (53 mil) completam o ranking dos cinco estados com maior número de novas conexões no último ano.
Queda nos preços e marcos regulatórios impulsionam o setor
O crescimento do número de sistemas solares no Brasil é impulsionado por uma combinação de fatores: queda no preço dos equipamentos fotovoltaicos, oferta de financiamento facilitado e maior conscientização dos consumidores sobre os benefícios econômicos da autogeração de energia.
Além disso, o avanço do setor também tem sido favorecido pelo marco legal da geração distribuída, aprovado em 2022, que garantiu regras claras e previsibilidade para novos investidores. Mesmo com a transição das regras de compensação de energia iniciada em 2023, a atratividade do investimento se mantém alta para consumidores residenciais.
A Solfácil, considerada o maior ecossistema de soluções solares da América Latina, tem acompanhado mensalmente o desempenho do setor com base nos dados públicos da ANEEL, reforçando o papel da informação na tomada de decisão tanto de consumidores quanto de integradores e investidores.
Perspectivas positivas para o segundo semestre
Apesar da queda na potência total instalada no primeiro semestre, as expectativas para o segundo semestre de 2025 seguem otimistas. A continuidade da redução nos custos dos equipamentos, somada ao reajuste das tarifas de energia em diversas regiões, deve manter o ritmo de adesão elevado, especialmente entre consumidores residenciais.
Outro ponto importante é a ampliação da oferta de soluções integradas para geração solar, armazenamento e gestão de consumo, o que tende a tornar a autogeração ainda mais acessível e eficiente.



