Operação aprovada pelo Cade marca novo avanço na estratégia de descarbonização e reposicionamento da empresa no setor energético
A Eletrobras, maior companhia do setor elétrico da América Latina, anunciou a assunção do controle de seis usinas eólicas localizadas no Ceará, marcando mais um passo robusto em sua estratégia de consolidar uma matriz 100% renovável até 2030. As unidades, antes controladas em parceria com a Âmbar Energia — empresa do grupo J&F — fazem parte do Complexo Eólico Baleia, que agora passa à gestão da Eletrobras por meio de sua subsidiária Brasil Ventos.
A operação foi aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 7 de julho de 2025, garantindo a segurança jurídica necessária para a transação e reforçando a robustez da governança no setor elétrico brasileiro.
Energia limpa, escala nacional
Localizado entre os municípios de Amontada e Itapipoca, no estado do Ceará, o Complexo Eólico Baleia representa um avanço significativo na expansão da matriz energética renovável do Brasil. Inserido na região Nordeste — líder nacional na geração de energia eólica — o complexo contribui de forma expressiva para o aproveitamento do potencial dos ventos, reforçando a segurança e a diversificação da oferta energética no país.
Composto por seis usinas, o Complexo Baleia totaliza 113,2 megawatts (MW) de capacidade instalada, distribuída da seguinte forma: Bom Jesus Eólica (18,0 MW), Cachoeira Eólica (12,0 MW), Pitimbu Eólica (18,0 MW), São Caetano I Eólica (18,0 MW), São Caetano Eólica (25,2 MW) e São Galvão Eólica (22,0 MW).
De passivo judicial a ativo estratégico
Originalmente contratadas no leilão de energia de reserva de 2013, as usinas enfrentaram sérios atrasos em razão de falhas contratuais da fornecedora argentina Impsa, que entrou em recuperação judicial. A consequência foi o cancelamento dos contratos pela ANEEL em 2017. No entanto, os ativos mantiveram os direitos de indenização — que agora passam a ser geridos pela Eletrobras.
Ao assumir o controle operacional, a empresa também passa a liderar os trâmites judiciais relacionados, com a expectativa de reverter o passivo em ressarcimento financeiro. A expertise da Eletrobras em mediações regulatórias é um trunfo para a resolução eficiente das pendências e reativação plena dos ativos.
Uma transação interligada à descarbonização
O acordo de aquisição das usinas eólicas está diretamente vinculado à venda, no ano passado, de 2 GW em termelétricas da Eletrobras para a Âmbar Energia, por R$ 4,7 bilhões. Trata-se de uma troca estratégica: enquanto a Âmbar fortalece sua posição no mercado termelétrico, a Eletrobras avança em sua missão de eletrificação limpa.
A opção de compra exercida sobre os ativos eólicos foi prevista contratualmente como parte complementar da venda das térmicas. Com a aprovação do Cade, a empresa conclui mais uma etapa em sua reestruturação após a privatização, priorizando ativos renováveis e resilientes no longo prazo.
Governança e parceria privada
A gestão das usinas será realizada pela Brasil Ventos, braço da Eletrobras dedicado a fontes renováveis. O FIP Milão — vinculado à J&F — permanece como sócio minoritário, o que mantém aberta a via de colaboração entre os grupos.
A estrutura societária proposta permite à Eletrobras controle decisório e operacional sobre os ativos, ao passo que preserva o capital e sinergias com parceiros estratégicos.
Impacto ambiental, econômico e energético
A adição de 113 MW ao portfólio da Eletrobras não é apenas simbólica. Representa a substituição concreta de fontes fósseis por geração limpa, além da mitigação de impactos climáticos associados ao setor elétrico. Em termos econômicos, o ganho se reflete em custos operacionais mais baixos, menor dependência de insumos importados e maior previsibilidade regulatória.
Em relação ao futuro, a incorporação de projetos greenfield, como o Complexo Baleia, reforça a posição da Eletrobras como líder em inovação, sustentabilidade e confiabilidade energética, abrindo espaço para novas certificações ESG e ampliando sua atratividade junto a investidores globais.
Desfecho: a Eletrobras do futuro já está em curso
Com 97% de sua matriz já renovável, a Eletrobras consolida-se como protagonista da transição energética no Brasil e no mundo. A retomada dos projetos do Complexo Baleia, anteriormente considerados ativos problemáticos, simboliza a capacidade da empresa de transformar desafios jurídicos e técnicos em soluções de alto valor.
Para o Brasil, esse movimento representa segurança energética, geração de empregos no Nordeste e fortalecimento da matriz limpa. Para o mercado, um sinal de que é possível crescer com estratégia, sustentabilidade e compromisso de longo prazo.



