ONS alerta para cenário desafiador com afluências abaixo da média histórica em março

Previsões preocupantes contrastam com bons níveis de armazenamento, mas demandam cautela para evitar impactos futuros.

O mais recente boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) divulgado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) traz projeções alarmantes para as afluências no mês de março, colocando em destaque a necessidade de medidas preventivas no setor energético brasileiro. Enquanto os patamares de Energia Armazenada se mantêm favoráveis, com estimativas de reservatórios acima dos 60% em três subsistemas, as previsões para Energia Natural Afluente (ENA) permanecem consistentemente abaixo da média histórica para o período.

De acordo com o boletim, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% dos reservatórios de maior interesse do Sistema Interligado Nacional (SIN), está previsto para encerrar março com ENA equivalente a apenas 69% da Média de Longo Termo (MLT). Essa marca representaria a sétima pior ENA para o mês em uma série histórica de 94 anos. As demais regiões também enfrentam desafios, com indicações de ENA de 110% da MLT no Norte, 76% no Sul e 64% no Nordeste.

Apesar das preocupações com as afluências, o cenário de Energia Armazenada (EAR) apresenta-se favorável, com três subsistemas projetados para alcançar patamares superiores a 60% até o final de março: Norte (95,8%), Nordeste (73,3%) e Sudeste/Centro-Oeste (69%). A região Sul, no entanto, deve encerrar o período com EAR de 48%.

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Em relação à carga, o cenário prospectivo indica aceleração no SIN e em três subsistemas, com destaque para o Norte e o Nordeste, ambos com perspectivas de crescimento superior a 7%. No entanto, a região Sul pode apresentar uma redução de 0,2% na demanda de carga. Esses números refletem comparações entre as perspectivas de março de 2024 e o mesmo período do ano anterior.

Um ponto de destaque no boletim é o Custo Marginal de Operação (CMO), que registra valor diferente de zero pela primeira vez em cerca de 14 meses, estando atualmente em R$ 0,06 para todos os quatro subsistemas, o que demanda atenção por parte dos agentes do setor.

Diante desse cenário desafiador, é crucial que medidas sejam tomadas para garantir a estabilidade do fornecimento de energia e evitar possíveis impactos no abastecimento do país. O relatório completo pode ser acessado aqui.

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