Motiva fecha autoprodução solar com EDP para abastecer VLT e outros ativos de mobilidade

Contrato de 15 anos prevê 9,3 MW médios para 154 unidades consumidoras e eleva de 60% para 85% a participação da autoprodução no atendimento da demanda de energia da companhia

A Motiva firmou com a EDP um contrato de autoprodução de energia solar com duração de 15 anos e volume contratado de 9,3 MW médios (MWm). O acordo atenderá 154 unidades consumidoras em média e alta tensão, incluindo o VLT Carioca, no Rio de Janeiro, linhas de metrô e trens metropolitanos de São Paulo e concessões rodoviárias em cinco estados.

A energia será proveniente de uma usina do Complexo Solar Novo Oriente, localizado em Ilha Solteira (SP), que possui capacidade instalada de 254 MWac. Com a contratação, a participação da autoprodução no atendimento à demanda elétrica da Motiva passará de 60% para 85%. O volume contratado corresponde a cerca de 15% do consumo total de energia da companhia.

Contrato abrange metrôs, trens e rodovias

Além do VLT Carioca, o acordo contempla as Linhas 4-Amarela e 5-Lilás do metrô de São Paulo e as Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos. Também estão incluídas concessões rodoviárias administradas pela Motiva em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da operação da BR-163, em Mato Grosso do Sul.

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A empresa estima que a estratégia contribuirá para reduzir em 25% a conta de energia em relação a 2023. O contrato também inclui certificados internacionais de energia renovável (I-RECs), que atestam a origem renovável da energia contratada.

A iniciativa amplia a parceria entre as companhias, que já haviam firmado, em 2024, um contrato de dez anos para fornecimento de energia solar por geração distribuída compartilhada ao Sistema Anhanguera-Bandeirantes, em São Paulo.

Autoprodução será estruturada por arrendamento

O contrato foi estruturado na modalidade de autoprodução por arrendamento. Nesse modelo, o consumidor recebe a outorga de geração e compartilha o ativo com o empreendedor, com participação na capacidade de produção conforme a parcela definida no consórcio constituído para operar o projeto.

Diferentemente da modalidade por equiparação, em que as partes possuem participação societária em uma usina e celebram um contrato de compra e venda de energia (PPA), a estrutura por arrendamento disponibiliza a energia aos participantes por meio da própria configuração de autoprodução, sem a celebração de um PPA entre a EDP e a Motiva.

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A contratação integra uma estratégia que combina autoprodução, geração distribuída e migração de unidades consumidoras para o mercado livre. Segundo a companhia, a meta de reduzir em 20% os gastos com energia foi alcançada um ano antes do prazo final de 2025, utilizando fontes limpas e renováveis.

Motiva busca reduzir emissões e custos operacionais

A empresa afirma que suas operações de rodovias e trilhos são abastecidas exclusivamente por fontes renováveis desde o fim de 2024. A ampliação da autoprodução busca reduzir a exposição aos custos de eletricidade e dar maior previsibilidade às despesas operacionais.

A vice-presidente de Pessoas, Sustentabilidade e Excelência da Motiva, Raquel Cardoso, relacionou o novo contrato à estratégia de descarbonização da companhia: “Desde o final de 2024, nossas operações de rodovias e trilhos são apenas abastecidas com energia proveniente de fontes renováveis. Este acordo com a EDP reforça esse compromisso ao ampliar a participação da autoprodução de energia no nosso consumo, garantindo que o nosso crescimento continue alinhado à estratégia de descarbonização e à geração de valor sustentável de longo prazo.”

A Motiva estabeleceu a meta de neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2035, conforme a Ambição 2035. A companhia informou ter encerrado 2025 com redução de 61% nas emissões desses escopos em relação a 2019, superando antecipadamente a meta de corte de 59% até 2033, aprovada em 2023 junto à Science Based Targets initiative (SBTi). As emissões de escopo 2, associadas à eletricidade consumida, foram zeradas ao fim de 2024, de acordo com a empresa.

EDP amplia atuação em soluções para grandes consumidores

Para a EDP, o acordo integra a oferta de soluções energéticas customizadas para empresas com demanda significativa de eletricidade. O diretor-executivo de Soluções para Clientes da EDP na América do Sul, Tomás Baldaque, destacou o papel da gestão de energia na competitividade das operações: “Além de ser fundamental para a descarbonização da economia, a energia representa um custo estratégico e relevante para as empresas, podendo impactar na sustentabilidade e eficiência dos negócios. Contribuir para que pequenas, médias e grandes empresas otimizem suas operações, reforça a nossa expertise em oferecer soluções personalizadas que atendem às necessidades e complexidades de cada negócio. O foco no cliente é um dos pilares da nossa estratégia comercial, e sermos o parceiro energético de empresas como a Motiva consolida a nossa atuação como uma das líderes no mercado de energia no país.”

A empresa atua na geração e comercialização de energia e em soluções para consumidores empresariais. No caso da Motiva, o contrato amplia o uso da autoprodução como instrumento de gestão de custos e de suprimento renovável para operações de transporte e infraestrutura.

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