Eficiência operacional de 8 anos, entrada de 12 novos poços e ramp-up em Búzios e Mero impulsionam volume de óleo e gás; vendas do parque de refino alcançam topo histórico no mercado interno
A produção média própria de óleo, LGN e gás natural da Petrobras atingiu a marca histórica de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboed) no terceiro trimestre de 2026. O resultado representa uma expansão de 11,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior e alta de 5,3% sobre o segundo trimestre. O desempenho reflete a combinação de maior eficiência operacional das unidades, entrada de 12 novos poços e o avanço da produção nas bacias de Santos e Campos.
No período, a produção total operada pela estatal alcançou 5,08 MMboed, superando a marca prévia de 4,87 MMboed registrada no 2T26. O segmento de pré-sal respondeu por 4,46 MMboed do volume total operado e 2,96 MMboed da parcela própria da companhia. O desempenho técnico foi sustentado pelo atingimento do patamar mais elevado de eficiência operacional da frota desde o quarto trimestre de 2018, impulsionado pelo menor volume de paradas não programadas para manutenção.
Ramp-up no pré-sal e recordes no escoamento de gás natural
A curva de crescimento no E&P foi alavancada pela aceleração operacional nos campos de Búzios e Mero. O FPSO Alexandre de Gusmão, quinta unidade instalada no campo de Mero, atingiu no início de setembro o pico de 190 mil barris por dia (mbpd) de óleo, após ampliação autorizada por órgãos reguladores e ambientais. Com o suporte do FPSO Sepetiba, que registrou máxima diária de 212 mbpd, Mero consolidou produção média de 760 mbpd no trimestre, mantendo o posto de terceiro maior ativo produtor do país.
Em Búzios, o FPSO Almirante Tamandaré manteve a liderança nacional de produção individual ao registrar média mensal de 263 mbpd em julho. O campo registrou ainda recorde na infraestrutura de movimentação energética, ultrapassando pela primeira vez a marca de 11 milhões de m³/d na exportação média de gás natural. A capacidade instalada do ativo receberá reforço com o deslocamento dos FPSOs P-80 e P-82, que deixaram o estaleiro em Singapura entre setembro e outubro rumo ao ativo. Ambas as plataformas têm capacidade individual para processar 225 mbpd e comprimir 12 milhões de m³/d de gás natural, com start-up previsto para 2027.
O aproveitamento energético do insumo também atingiu máxima operacional: o Índice de Utilização do Gás Associado (IUGA) foi de 98,3% no trimestre, reduzindo a intensidade de emissões de carbono por barril equivalente produzido.
Parque de refino atinge pico de vendas e FUT de 99%
No segmento Midstream e Downstream, as vendas de derivados de petróleo no mercado interno somaram 1.854 mbpd no trimestre — o maior volume da história do atual parque de refino da estatal e alta de 6,4% em relação ao trimestre anterior. A expansão da demanda doméstica foi liderada pelo óleo diesel (+14,4%) e pelo querosene de aviação (+9,9%).
Para dar vazão ao consumo, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias operou em 99% no 3T26, cinco pontos percentuais acima do índice registrado no 3T25. A produção total de combustíveis ficou em 1,873 MMbpd, com destaque para a fatia de 68% concentrada em produtos de alto valor agregado (diesel, QAV e gasolina). O rendimento refinado ocorreu mesmo com paradas programadas de manutenção executadas na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP).
A carga processada nas refinarias acumulou 1.800 mbpd nos primeiros nove meses do ano, com participação de 93% de óleos nacionais e 72% de cravagens oriundas do pré-sal, reduzindo a dependência de importações de petróleo cru.
Transição energética e logística de exportação
Em linha com o plano de descarbonização, a estatal firmou contratos para a construção da primeira unidade dedicada ao segmento de biocombustíveis na RPBC, com capacidade projetada em até 15 mbpd para produção de BioQAV e Diesel Renovável. Em paralelo, a Refinaria Duque de Caxias (REDUC) obteve a certificação ISCC Corsia e concluiu a entrega do primeiro lote de 3,8 milhões de litros de SAF via coprocessamento, além de receber autorização regulatória da ANP para processar Diesel R com 8,5% de conteúdo renovável.
No ecossistema logístico e de comércio exterior, o volume de exportação de petróleo e derivados atingiu a máxima de 1,251 MMbpd. As operações offshore registraram movimentação recorde por navios aliviadores (CTV), com transferência de 6,6 milhões de barris em agosto, enquanto o Terminal Marítimo de Suape (PE) computou o pico histórico de 101 embarcações atendidas no mês de setembro.



