Lactec desenvolve soluções para reduzir custos e reforçar segurança na abertura do mercado livre

Instituto estrutura laboratório de interoperabilidade de medidores inteligentes e atua em cibersegurança, armazenamento e usinas virtuais para apoiar a digitalização da distribuição de energia.

A abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão exigirá investimentos em digitalização, medição inteligente e segurança cibernética. Para enfrentar esses desafios, o Lactec desenvolve soluções de pesquisa e infraestrutura laboratorial voltadas à interoperabilidade de equipamentos e à operação de redes inteligentes.

A expansão do Ambiente de Contratação Livre (ACL) para pequenos comércios e residências depende da evolução das regras legais e regulatórias e da capacidade de adaptação das distribuidoras e dos demais agentes. Nesse cenário, a padronização tecnológica pode ajudar a reduzir custos de implantação e evitar a dependência de fornecedores específicos.

Interoperabilidade pode reduzir custos com medidores

Um dos desafios da abertura do mercado na baixa tensão é a instalação e a integração de milhões de medidores inteligentes às redes de distribuição. Sem padrões que permitam a comunicação entre equipamentos de diferentes fabricantes, as concessionárias podem ficar restritas a determinadas tecnologias, limitando a concorrência nas compras e elevando os custos de digitalização.

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O Lactec estrutura um Laboratório de Interoperabilidade de Medidores para testar a integração de equipamentos de diferentes fabricantes, com foco na compatibilidade, na padronização e na segurança das comunicações.

“A abertura do mercado é um grande avanço, mas a economia real para o consumidor final depende de eficiência operacional e automação em larga escala. Com a interoperabilidade, as distribuidoras ganham flexibilidade de compras em escala, garantindo que a digitalização ocorra com menor custo tarifário e máxima confiabilidade técnica”, avalia Luiz Felipe Toledo, gerente sênior de Operações Tecnológicas em Soluções em Energia no Lactec.

A redução de custos, porém, dependerá também das especificações técnicas adotadas, da escala de implantação e do tratamento dos investimentos nos processos tarifários. A Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) é um dos componentes relevantes nessa discussão, pois remunera o uso da rede pelas atividades de distribuição.

Cibersegurança e armazenamento integram soluções

Além dos testes de interoperabilidade, o Lactec atua no desenvolvimento de tecnologias para redes inteligentes. Entre as frentes estão soluções de cibersegurança para sistemas de medição e faturamento digitalizados, com o objetivo de proteger infraestruturas críticas contra invasões, fraudes e vazamentos de dados.

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O instituto também desenvolve estudos e plataformas para usinas virtuais (Virtual Power Plants, ou VPPs), sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e sistemas de gerenciamento de energia (EMS). Essas tecnologias podem apoiar o controle de microrredes, a resposta da demanda e a gestão do consumo.

As aplicações ganham relevância à medida que a digitalização amplia o volume de dados e a possibilidade de controlar cargas e recursos energéticos distribuídos. A integração dessas soluções, contudo, depende de requisitos técnicos, modelos de negócio e regras de participação nos mercados de energia e serviços à rede.

Mercado livre e geração distribuída podem operar de forma complementar

A expansão do ACL e da geração distribuída (GD) abre possibilidades para combinar diferentes recursos energéticos do consumidor. Instalações com geração solar, por exemplo, podem ser integradas a sistemas de baterias e plataformas de gerenciamento para otimizar o autoconsumo e administrar excedentes.

As usinas virtuais podem agregar recursos distribuídos e coordenar sua operação, enquanto os sistemas de armazenamento permitem deslocar o consumo de energia no tempo. A prestação de serviços à rede e a comercialização de excedentes, entretanto, dependem das condições técnicas e regulatórias aplicáveis a cada modalidade.

Regras para a abertura ainda exigem definições

A ampliação do mercado livre para consumidores de baixa tensão também envolve questões regulatórias, como a estruturação do Supridor de Última Instância (SUI), a atuação dos agregadores de carga e os padrões técnicos necessários à integração dos agentes.

Essas definições terão impacto sobre a migração de consumidores, a continuidade do fornecimento e a divisão de responsabilidades entre distribuidoras, comercializadoras e outros participantes. A infraestrutura de medição e comunicação precisará acompanhar as regras para viabilizar a operação do mercado com segurança e eficiência.

Com mais de seis décadas de atuação em pesquisa e inovação, o Lactec busca apoiar os agentes do setor na adaptação tecnológica necessária à evolução do mercado de energia.

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